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Os vencedores do Prêmio Dasa de Inovação Médica com VEJA SAÚDE 2021 – VEJA Saúde

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Um novo jeito, bem mais fidedigno, de ler o código genético de vírus como o da Covid-19. Um teste rápido para uma doença negligenciada que se manifesta na pele e ainda assombra o Brasil. Uma técnica que usa a pele da tilápia em cirurgias de reconstrução vaginal. Um sistema automatizado para não deixar faltar remédio nos postos e unidades do SUS. Uma invenção que permite sondar a pressão dentro do crânio em tempo real sem um furo sequer. Uma investigação sobre os surpreendentes efeitos do coronavírus na saúde sexual e reprodutiva dos homens.
Originalidade e inovação permeiam os projetos vencedores do Prêmio Dasa de Inovação Médica com VEJA SAÚDE 2021, uma iniciativa que mostra ao país e ao mundo ideias, ações e experiências disruptivas concebidas por brasileiros e capazes de mudar os caminhos da ciência e dos cuidados com a saúde.
A quarta edição da premiação é marcada por criatividade, horas e horas de estudo e tecnologia de ponta. Vai do macro ao micro. De demandas que envolvem milhões de brasileiros — como a necessidade de ter medicamentos disponíveis na rede pública — àquelas protagonizadas por grupos frequentemente escanteados como as pessoas trans — que poderão ter na pele da tilápia uma aliada na cirurgia de readequação do órgão sexual.
Faz o futuro virar presente com dispositivos portáteis para checar a compressão cerebral, que é alterada por problemas que não se restringem à massa encefálica. E joga luz sobre um mal que só parece coisa do passado, a hanseníase, que tem no Brasil a segunda maior nação em número de casos no planeta.
O coronavírus, entidade microscópica que já divide estes tempos como pré e pós-pandêmicos, não ficaria de fora da mira dos cientistas. Enquanto um grupo sequencia de uma forma direta e diferente o RNA do vírus, em um trabalho com potencial de revolucionar a análise dos genomas, outro se debruça sobre os estragos que a Covid-19 consegue provocar em locais insuspeitos como os testículos.
Em um país em que os investimentos públicos em pesquisa — seja a básica, seja a aplicada — evaporaram nos últimos anos, há que louvar o esforço em todos os sentidos desses profissionais que, no laboratório ou no hospital, estão trabalhando para fazer a diferença. Em um campo do conhecimento. Em uma tecnologia. Em um protocolo para diagnóstico ou tratamento. Em vidas.
Daí a beleza de reconhecer e aplaudir as seis equipes vencedoras. Cinco trabalhos ligados diretamente a universidades públicas e um realizado por uma startup que faz estudos com centros de ensino e hospitais brasileiros. Foram dezenas de projetos indicados à premiação.
E a árdua, porém gratificante, missão de avaliá-los, após um filtro inicial da organização do prêmio, coube a um time de jurados, com nomes representativos da ciência e da medicina brasileira.
As iniciativas concorreram a seis troféus, um por categoria: Inovação em Genômica; Inovação em Medicina Diagnóstica; Inovação em Prevenção e Promoção à Saúde; Inovação em Tratamento; Inovação em Medicina Social; e a novíssima Inovação em Healthtech, que contempla especialmente esses atores em ascensão no ecossistema da saúde, as startups.
Os trabalhos foram avaliados pelo júri de acordo com critérios como relevância científica e/ou clínica, abrangência, aplicabilidade, impacto e uso de tecnologia. Com as notas atribuídas, definem-se os campeões, que você vai conhecer logo abaixo.
As três primeiras edições do prêmio revelaram pesquisas, invenções e projetos educativos que reverberam até hoje na academia, nos consultórios e hospitais e na vida de um número expressivo de brasileiros.
Campanha nacional pela conscientização sobre as doenças cardiovasculares, estudo com células-tronco para o diabetes, programa de visitas e acompanhamento psicológico a jovens gestantes em situação de vulnerabilidade, banco de dados genômicos do câncer, novos modelos de exame para infecções como a dengue…
Esses são só alguns dos trabalhos que receberam o merecido destaque desde 2018. No ano passado, numa edição dedicada à Covid-19, soluções engenhosas para detectar e monitorar a doença, reabilitar pacientes e dar acesso à orientação médica a quem mais precisa subiram ao pódio. Chegou a vez de conhecer os premiados de 2021.
Se o coronavírus fosse uma pessoa de carne e osso, usar o método convencional para sequenciar seu código genético seria como tentar identificar o indivíduo pela sua sombra.
Essa é a metáfora a que o professor e pesquisador Marcelo Briones, do Centro de Bioinformática Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), recorre para explicar por que a técnica tradicional de leitura do genoma, o RT-PCR, deixa a desejar quando deparamos com um vírus formado por RNA, e não DNA, como o patógeno da Covid-19.
No sequenciamento convencional, converte-se a fita única do RNA do vírus em uma fita dupla, o chamado DNA complementar. Em seguida, produz-se um monte de clones dessa molécula, que são amplificados e lidos pelo maquinário.
Após mergulhar em dezenas de artigos científicos sobre os RNAs — um universo a ser explorado, na visão do biólogo —, Briones decidiu pegar um caminho diferente para decifrar o vírus: sequenciar diretamente seu RNA por meio de uma tecnologia baseada em nanoporos e analisá-lo com programas de bioinformática.
Ele e sua equipe obtiveram, assim, uma leitura mais refinada e apurada do genoma do Sars-CoV-2 — a resolução é cerca de 25 vezes maior que a do método usual.
E ainda identificaram uma modificação em um dos pedaços do RNA viral que permite ao agente infeccioso escapar da primeira linha de defesa do nosso organismo, multiplicando-se e se espalhando entre as células. “Isso abre caminho inclusive ao desenvolvimento de novos tratamentos, num modelo parecido com o que já é estudado em drogas para o câncer”, diz Briones.
O sequenciamento direto do RNA também será capaz de revelar quem são, de fato, as variantes do coronavírus. E não só. “Poderemos utilizar essa metodologia em outros vírus de RNA”, prevê o professor. Para ter ideia do potencial da estratégia, basta lembrar que entram no grupo os patógenos responsáveis por gripe, zika e dengue.
Nome original do trabalho: Sequenciamento direto do RNA de SARS-CoV-2 revela os sítios m6A e potenciais diferenças na metilação de sequências DRACH dos variantes
AUTORES: Marcelo Ribeiro da Silva Briones, João Henrique Coelho Campos, Luiz Mario Ramos Janini, Fernando Martins Antoneli Jr., Juliana Terzi Maricato e Carla Torres Braconi.
INSTITUIÇÃO: Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
Cercada de estigmas em razão das manchas e lesões que provoca na pele, erroneamente consideradas contagiosas, a hanseníase ainda é um problema de saúde pública no Brasil.
O diagnóstico precoce e o rastreio fazem parte da Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) e são considerados pontos fundamentais para mudar o panorama nos países que lideram os casos da doença. A entidade tem como meta, aliás, zerar a hanseníase endêmica até 2030.
A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Mesmo sem apresentar sinais, a pessoa infectada pode disseminar o micro-organismo por gotículas de saliva e secreções nasais.
Os principais sintomas são manchas e placas na pele, formigamentos e perda de sensibilidade. A progressão pode levar a sequelas físicas como mãos em forma de garra e outras deformações.
O Brasil é o segundo país em número de casos registrados, só atrás da Índia e logo à frente da Indonésia. Ao redor de um terço dos episódios por aqui é notificado após comprometimentos mais sérios, como fraqueza nas mãos e dores nas articulações, o que evidencia a detecção tardia.
Pesquisadora na área de diagnóstico para doenças negligenciadas, a farmacêutica Juliana de Moura, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se uniu ao químico Ronaldo Censi Faria, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para desenvolver uma solução capaz de flagrar anticorpos da hanseníase no sangue, facilitando, assim, sua identificação — hoje, ela é feita por meio de exames físicos e biópsias dos locais afetados.
“Conseguimos chegar a uma plataforma inovadora, que utiliza peptídeos reagentes a anticorpos detectados eletroquimicamente”, resume Juliana. Testado com 50 amostras de sangue, o método consegue até mesmo especificar o tipo da doença.
Na forma multibacilar, de manifestações mais severas, ela apresenta carga de anticorpos mais elevada. Já nas paucibacilares, a baixa produção dos anticorpos dificulta ainda mais o diagnóstico pelos métodos tradicionais.
“Com nossa alternativa, é possível encaminhar ao médico um número maior de pessoas, e os resultados do exame ajudam a direcionar o tratamento”, diz a cientista. “Sem contar a possibilidade de fazer triagens em áreas endêmicas, detectando a doença antes do aparecimento de qualquer lesão, o que ajudaria a quebrar a transmissibilidade da hanseníase”, completa.
Nome original do trabalho: Novo teste simples e rápido para o diagnóstico sorológico da hanseníase
AUTORES: Juliana de Moura, Ronaldo Censi Faria, Sthefane Valle de Almeida e Cristiane Zocatelli Ribeiro.
INSTITUIÇÕES: Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
 
“O coronavírus veio para ficar e é mais uma preocupação para a saúde do homem, sobretudo pelo seu potencial de impacto na fertilidade, já tão afetada por fatores ambientais e estilo de vida.” O alerta é do andrologista Jorge Hallak, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), um dos centros envolvidos nesta investigação premiada.
“Desde os primeiros pacientes com Covid-19 tratados no Hospital das Clínicas da USP, observamos alterações nos exames hormonais e de espermatozoides”, recorda o médico.
Hallak e companhia foram fundo nesse trabalho de detetive e desvendaram que o Sars-CoV-2 consegue chegar aos testículos e agredir tanto as células precursoras de espermatozoides quanto as produtoras de testosterona e os vasinhos que irrigam a região. Isso foi constatado em homens com diferentes manifestações da doença, das formas assintomáticas e leves às mais graves.
Para entrar nas células, o vírus tem que abrir a porta, ou seja, precisa se ligar a um receptor. É o caso da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), abundante nos testículos (e nos pulmões). Uma vez instalado e se replicando ali, o patógeno pode provocar lesões capazes de comprometer a produção de testosterona e espermatozoides.
São achados cruciais para prevenir e buscar reverter problemas na saúde sexual e reprodutiva decorrentes do coronavírus. O ideal, segundo Hallak, é que os homens que tiveram a infecção façam avaliações por pelo menos dois anos após a convalescença.
Já que indivíduos mais novos e adolescentes podem ter sido infectados sem saber, o especialista recomenda maior atenção na procura pelas causas de infertilidade no pós-pandemia, assim como na escolha das técnicas de reprodução assistida.
Nome original do trabalho: Efeitos reprodutivos e sexuais da infecção pelo Sars-CoV-2 em pacientes do sexo masculino com Covid-19: novas descobertas e consequências futuras
AUTORES: Jorge Hallak, Paulo Hilario Nascimento Saldiva, Esper Georges Kallas, Marisa Dolhnikoff, Amaro Nunes Duarte Neto, Elia Tamaso Espin Garcia Caldini, Thiago Afonso Teixeira, Felipe Saraiva Bernardes, Felipe Carneiro e Heloisa Faquineti.
INSTITUIÇÕES: Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Instituto e Centro Androscience – Centro de Ciência e Inovação em Andrologia, Divisão de Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da FMUSP e Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP).
 
 
A pele desse peixe de água doce, abundante no país, já se tornou matéria-prima para curativos de queimaduras, um feito que ganhou a atenção do mundo e foi vencedor desta premiação em 2019. Agora, o mesmo grupo da Universidade Federal do Ceará (UFC) passou a avaliar esse biomaterial em cirurgias de reconstrução vaginal.
Além de não conter vírus ou bactérias contaminantes aos humanos, a pele de tilápia é rica em colágeno e tem propriedades cicatrizantes. Para uso cirúrgico, ela é desidratada, embalada a vácuo e esterilizada por irradiação.
“Há 25 anos a UFC tem um serviço de referência para tratar meninas que nascem com agenesia, a ausência de canal vaginal, embora tenham a genitália externa normal. Só que as cirurgias reparadoras usavam enxerto da pele das pacientes, retirado da virilha, gerando cicatrizes e desconfortos”, conta o cirurgião ginecológico Leonardo Bezerra, um dos responsáveis pelo projeto.
Já a alternativa da celulose oxidada, tradicional nessas operações, tem custo elevado porque o material é importado.
“O sucesso como curativo nos fez pensar no uso da pele de tilápia nesses casos, o que fez surgir um conceito inovador. Percebemos que ela pode funcionar como anteparo para o crescimento e o desenvolvimento celular. E, feita a cirurgia, a membrana é totalmente incorporada à vagina reconstruída”, relata o médico.
Nos estudos da UFC, 30 pacientes com a síndrome de Rokitansky, condição que afeta uma a cada 5 mil mulheres e é caracterizada pelo encurtamento ou inexistência do canal vaginal, passaram pela nova técnica, que também pode ser aplicada em pacientes que tiveram comprometimentos na região em função de tratamentos como radioterapia.
O método se mostrou igualmente adequado a procedimentos de redesignação sexual em mulheres trans (50 participaram da pesquisa). “Os resultados funcionais e estéticos contribuem para a melhora da função sexual, o bem-estar emocional e a qualidade de vida dessas pacientes”, celebra Bezerra.
A equipe da UFC também demonstrou que a pele de tilápia pode ser útil numa condição chamada sindactilia grave. Ela faz com que os dedos nasçam colados, e a membrana vem ajudando a impedir que eles voltem a se unir depois de separados.
Nome original do trabalho: A pele de tilápia na saúde sexual feminina e cirurgias reparadoras complexas: recuperação da função sexual de mulheres com estenose e malformação vaginal, autoaceitação de mulheres transgênero e reparo de sindactilia grave
AUTORES: Leonardo Robson Pinheiro Sobreira Bezerra, Zenilda Vieira Bruno, Manoel Odorico de Moraes Filho, Felipe Augusto Rocha Rodrigues, Carlos Roberto Koscky Paier, Edmar Maciel Lima Júnior, Álvaro Hernán Rodríguez, Stephany Ellen de Castro, Liz Rodrigues Picanço, Andressa Fernandes de Souza Mourão Feitosa e Larissa Bezerra Santiago.
INSTITUIÇÕES: Maternidade Escola Assis Chateaubriand, Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Centro Especializado en Cirugía Mamaria y Cirugía Transgénero (CECM/Colômbia).
 
 
É bem complexa a gestão de aquisição e distribuição de medicamentos por hospitais e drogarias, assim como por programas governamentais de assistência farmacêutica. Para ajudar nessa operação que exige cálculos, planilhas e enorme capacidade analítica, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um software baseado em algoritmos de inteligência artificial.
“É um sistema revolucionário, porque automatiza todo o processo. Pode gerar economia de milhões de reais”, afirma Eduardo Mario Dias, professor da Escola Politécnica e do Instituto de Radiologia da USP, instituições à frente da iniciativa.
O programa foi alimentado com os dados de fornecimento e consumo de remédios do Ministério da Saúde e se provou capaz de otimizar a cadeia de suprimentos. O órgão faz a distribuição em todas as regiões do Brasil, e a rede precisa zelar pelo abastecimento, fazendo uma previsão correta.
“Se o consumo de um remédio em determinado período é de mil caixas, não pode comprar 500 para não gerar carência, nem 5 mil para não perder a validade”, exemplifica o médico especialista em informática Marcio Biczyk, do time da USP. “Ao fazer em minutos análises preditivas, a inteligência artificial se mostra uma importante ferramenta de apoio nas decisões de compra”, resume.
Só para você ter uma noção da logística toda, 50 mil tipos de medicamentos circulam pelo país, considerando todos os itens de marca e também os genéricos produzidos pela indústria farmacêutica. São 5 mil itens nos estoques dos hospitais de grande porte e mil medicações constando na base de dados do Ministério da Saúde, de produtos de alto custo para doenças raras àqueles de assistência básica, como ácido acetilsalicílico e dipirona.
Desenvolvido para a esfera federal, o programa de automação da USP é passível de ser replicado em todos os níveis do Sistema Único de Saúde (SUS), auxiliando hospitais e secretarias estaduais e municipais a manter os estoques adequados nos postos de atendimento.
E tem potencial para fazer a diferença no acesso à saúde. Os ganhos no processo podem impactar o abastecimento de medicamentos, garantindo mais eficiência a programas como o Farmácia Popular, que fornece gratuitamente remédios para hipertensão, diabetes e asma.
Nome original do trabalho: Automação e inovação em assistência farmacêutica – Automação do processo de aquisição e distribuição de medicamentos e produtos para a saúde pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS)
AUTORES: Marcio Biczyk, Eduardo Mario Dias, Marco Antonio Bego, A. Fleury, A. Massera, A. Fagundes, A. Sturzbecher, A. Diniz, C. Sá, D. Coutinho, D. Carreira, F. Vitória, G. Silva, G.G. Cerri. H. Calvão, I. Silveira, ltalo A. Sousa, J. Sousa, J.A. Tosta, M. Guimarães, M. Farah, M. Silveira, M. Scoton, M. Mariano, M. Pokorny, N. Bisinoti, N. Ferreira, P. Camargo, R. Botelho, R. Silvestre, W. Penna, W. Almeida e W. Labanca.
INSTITUIÇÕES: Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Inrad-HC/FMUSP) e Escola Politécnica (Poli/USP).
 
A pressão intracraniana é uma medida habitualmente usada pelos médicos para verificar se o cérebro corre risco em situações como hidrocefalia, AVC, tumores ou meningite. O volume dos líquidos que passam pelo cérebro (sangue e líquor) interfere nesse parâmetro.
Quando o coração bate e irriga o corpo, por exemplo, a chegada do sangue à cabeça provoca alterações sutis na pressão intracraniana. E repercussões mais drásticas ocorrem quando há um volume de sangue ou líquor maior comprimindo a massa encefálica.
Para aferir a pressão dentro do crânio, o método clássico depende de um procedimento hospitalar em que se faz um furo na cabeça. Imagine, então, se houvesse um dispositivo portátil não invasivo que, de maneira rápida, analisasse o cenário e indicasse aos profissionais se é preciso tomar uma conduta quanto antes. Pois essa ideia já virou realidade e vem sendo empregada em hospitais brasileiros.
É a tecnologia da Brain4care, uma startup que transformou as observações de um físico em uma ferramenta inédita aplicada dentro e fora do país. Tudo começou com o professor Sérgio Mascarenhas (1928-2021), que, após o diagnóstico de uma doença que elevava sua pressão intracraniana, decidiu estudar a fundo a fisiologia da caixa craniana e postulou, na contramão da neurologia, que ela não é totalmente rígida, podendo sofrer microdeformações devido a alterações no volume de líquidos e na pressão ali dentro.
Seguindo essa linha de raciocínio, pesquisadores desenvolveram uma forma de captar ondas do crânio para inferir a pressão no interior da cabeça. A evolução dessa história é o dispositivo da Brain4care, que, com apoio da inteligência artificial, fornece aos médicos um novo parâmetro para avaliar e predizer se o cérebro está sob pressão e pode sofrer danos — e não apenas em função de quadros neurológicos.
“Além do uso em hidrocefalia, AVC e trauma, temos pesquisas em contextos como anestesia, encefalopatia hepática e hemodiálise”, conta Plinio Targa, CEO da healthtech.
Nome original do trabalho: Brain4care: acesso a desfechos positivos em distúrbios neurológicos utilizando algoritmos, telemedicina e um dispositivo vestível de baixo custo
AUTORES: Renato Abe, Arnaldo Betta, Plinio Targa e Carlos Bremer.
INSTITUIÇÃO: Brain4care Desenvolvimento e Inovação Tecnológica.
 
 
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