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Inovação é a palavra de ordem do setor de crédito em 2022 – SpaceMoney

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As projeções para 2022 são desafiadoras. Ano eleitoral com grande polarização política, economia fraca, desemprego em alta, inflação crescente, taxa básica de juros em 9,25% com viés de alta, situação fiscal preocupante, enfim, o Brasil vai entrar no próximo ano com pontos de interrogação em todas as áreas e o setor de crédito pode ser uma válvula de escape, mas precisa de cautela e tecnologia. Trata-se de uma visão compartilhada pela maioria dos executivos da área e demais especialistas.
Não chega a ser como os anos 1980 e início dos 1990, quando era difícil para uma empresa traçar um plano estratégico de longo prazo. Quanto a empresa vai crescer? Qual o percentual de lucro? E a meta de captação de novos clientes? Com tanta incerteza fica difícil mensurar. Mas dá para prever que não será um ano fácil onde por exemplo o custo de funding ficará mais caro e será uma pressão no custo do crédito.
Estimativas mostram que o Brasil tem mais de 60 milhões de negativados. É um contingente muito grande e, na maioria, trabalhadores de baixa renda. Público historicamente ignorado pelos bancos tradicionais, mas que encontraram nas fintechs a oportunidade de se bancarizar e participar com mais vigor do mercado consumidor. 
O dilema que se arrasta por alguns anos continuará em 2022. Se quase 60% da população economicamente ativa está inadimplente, sobram 40%. Acontece que esse pessoal já é bastante disputado pelas grandes instituições bancárias. E como as fintechs se especializaram em atender as necessidades daqueles nichos desprezados pelo sistema financeiro tradicional, não seria prudente uma guinada no sentido contrário agora.
Tentar mudar de público pode ser tão arriscado quanto emprestar dinheiro para negativado. Mas risco é o nome do jogo quando se trata de crédito, então precisamos nos preparar para jogá-lo. Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém!
Todo negócio só se sustenta com a obtenção de bons resultados, de lucro. Mas entre esses milhões de devedores há bons pagadores prejudicados por problemas pontuais. Na pandemia, por exemplo, quantos deixaram de honrar seus compromissos porque ficaram desempregados?
E pode ser que um bom percentual desse grupo até esteja se reerguendo, mas para sair do sufoco de vez necessita de mais crédito. Falo de consumidores que têm orgulho em pagar suas contas em dia e quando não conseguem sofrem por isso e se esforçam para encontrar uma solução.
A dificuldade está em separar o joio do trigo, seja crédito para pessoa física ou jurídica. A solução para este problema é investir mais e mais em inovação. Diversas fintechs trabalham para aprimorar suas plataformas tecnologicamente, pesquisando, desenvolvendo e implantando softwares mais precisos. Já existem sistemas que conseguem avaliar o tom emocional de uma resposta. 
Também é necessário aprimorar a metodologia para formação de score. O modelo tradicional já não serve mais. Imagine a seguinte situação: um consumidor paga suas contas em dia por 20 anos. De repente, tem um contratempo, fica negativado e passa a ser tratado como um pária pelo setor de concessão de crédito. Com tanta tecnologia disponível, isso não é mais aceitável.
Temos de lembrar que o Open Banking, implantado pelo Banco Central, é uma ferramenta parceira das fintechs (na realidade de todo o sistema) porque possibilita a elas ter acesso a informações históricas de clientes antigos de bancos tradicionais, que permitirem essa pesquisa. Ora, se você tem acesso à história financeira do indivíduo você saberá se ele apenas passa por um problema momentâneo ou se tomar emprestado e não pagar é uma ação costumeira na vida dele.
E com o avanço das plataformas digitais, não podemos esquecer dos sistemas antifraudes. Infelizmente, eles são necessários em qualquer época e, assim como os softwares de análise de crédito eles estão cada vez mais avançados. Enfim, não há outro caminho que não passe pela inovação. O desafio maior em 2022. Quem não entender perderá diversas oportunidades.
A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.
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