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Empresas de tecnologia sofrem "apagão de mão obra" no Brasil – Poder360

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editado por Fernando Rodrigues
Setor tem 100.000 vagas abertas, mas faltam profissionais qualificados, segundo a Assespro
Marina Barbosa
12.dez.2021 (domingo) – 6h00

Mesmo com a aceleração da transformação digital na pandemia, o Brasil enfrenta falta de trabalhadores qualificados no setor de tecnologia da informação. A análise é do presidente da Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação), Italo Nogueira, 46 anos, que alerta para o risco de um “apagão de mão de obra”.
O setor de tecnologia da informação paga 3 vezes mais que a média do mercado e tem 100 mil postos de trabalho abertos no país hoje. Porém, faltam trabalhadores qualificados para ocupá-los, mesmo com o desemprego elevado. A expectativa da Assespro é de que 500 mil vagas sejam abertas até 2024. Por isso, Italo Nogueira cobra empenho do governo e das empresas na formação dos jovens.
“Temos quase 100 mil postos de trabalho abertos no setor de tecnologia sem conseguir profissionais, em um país com 15 milhões de pessoas desempregadas. É preciso formar gente”, afirmou o presidente da Assespro.
Italo Nogueira participou do Poder Entrevista. Assista à entrevista do presidente da Assespro ao Poder360 (57min33s):

Segundo Italo Nogueira, a falta de mão de obra qualificada ocorre porque o Brasil falhou na formação dos jovens e agora passa por uma “fuga de cérebros”. “É um gigantesco desafio. Primeiro, deixamos de formar. E, com o dólar a R$ 6, começamos a perder muitos jovens para outros lugares do mundo”, afirmou.
O presidente da Assespro diz que é preciso investir na formação de pessoal, para que o setor possa continuar crescendo e também para que os jovens tenham oportunidade de ascensão profissional. “O setor remunera normalmente 3 vezes mais que a média dos demais setores de trabalho. Então, é importante que municípios e Estados enxerguem isso como uma oportunidade de mudar a realidade da sociedade”, afirmou.
Para ele, o programa de qualificação profissional proposto pelo governo federal neste ano poderia ser positivo, mas recebeu tantas inovações ao longo do processo legislativo que precisava ser repensado. O programa previa o pagamento de um bônus para os jovens serem qualificados nas empresas, mas estava dentro da medida provisória que foi apelidada de minirreforma trabalhista e foi rejeitada pelo Senado Federal.
Italo Nogueira diz que o risco de o Brasil não resolver esse problema de falta de mão de obra qualificada é “ficar mais para trás na corrida inovadora e passar a ser apenas consumidor da tecnologia de diversos países, sem exportar nossa tecnologia para outros países”.
Ele diz ainda que o setor de tecnologia da informação tem tudo para continuar crescendo no Brasil, já que os consumidores e as empresas dependem cada vez mais da inovação. Fala também que o segmento tem potencial para alavancar a economia do país. “​​O setor pode ser uma ponte muito grande para um futuro totalmente diferente do nosso país”, afirmou.

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Além da falta de mão de obra, Italo Nogueira demonstra preocupação com o risco de desaceleração da economia brasileira, a reforma tributária e a alta dos juros.
Segundo o presidente da Assespro, o setor de tecnologia apresenta um crescimento “pujante” no Brasil por causa da “necessidade de transformar e inovar dentro de qualquer organização e da aceleração que a pandemia trouxe para que pudéssemos fazer as coisas no modelo ‘figital’ –parte físico e parte digital”.
Ele diz, no entanto, que ligou a “luz amarela” diante das perspectivas de desaceleração da economia brasileira. “Se os contratantes de serviços –as grandes organizações, os governos– não estiverem com caixa para investimentos em tecnologia, o setor será impactado”, afirmou.
A Assespro também prevê uma redução dos investimentos em tecnologia com a alta dos juros. “Diversas empresas viam a possibilidade de investir em startups porque a taxa de juros estava lá embaixo. Mas, quando a taxa de juros sai de 4% para 11% ou 12%, as pessoas se retraem e voltam para a renda fixa”, falou Nogueira.
Outra fonte de preocupação é a reforma tributária. O presidente da Assespro calcula que a unificação do PIS/Cofins na CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) pode elevar a carga tributária do setor em 180%. Por isso, diz que a proposta do governo seria um “desserviço ao Brasil”.
A associação ainda monitora outros 1.100 projetos de lei que podem afetar o setor e estão no Congresso Nacional. Um deles é o que propõe a criação de uma Cide Digital e também pode elevar a carga tributária dos fornecedores de serviços digitais. “Temos que tomar cuidado para não ter, além de um texto muito ruim de reforma tributária, outros diversos impostos e taxas que não cabem nesse momento”, afirmou Nogueira.
O presidente da Assespro ainda se posicionou contra a volta da CPMF, que é defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como uma forma de bancar a desoneração da folha –benefício que beneficia a tecnologia da informação.
“É inconcebível a volta de qualquer taxação. A desoneração deve continuar, mas não concordamos com o retorno da CPMF para bancar a desoneração. O Brasil tem muitos recursos, precisamos trabalhar melhor a aplicabilidade deles”, afirmou.
Italo Nogueira também defendeu melhorias no ambiente de negócios brasileiro. Ele disse que o arcabouço atual dificulta a vida do empreendedor e afasta investidores internacionais dos negócios brasileiros. Falou também que este é um dos fatores que levam as empresas de tecnologia do país a abrirem capital em bolsas estrangeiras e não na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo).
“As 10 principais empresas da Bolsa brasileira serão de tecnologia. Mas o momento está muito positivo para fazer isso lá fora. Tem uma estratégia de internacionalização e o regramento do Brasil. Muita gente que está lá fora não investe se a empresa estiver no Brasil”, afirmou Nogueira.
Marina Barbosa
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