Tecnologia

Alice Pataxó para O Tempo: 'Tecnologia é ferramenta de luta para indígenas' – O Tempo

wp header logo 274 Albânia 10

SuperNotícia
RádioSuper
Super.FC
O TempoBetim
Com uma agenda cheia de participações em eventos e entrevistas para a imprensa nacional e internacional, Alice Pataxó tem reverberado longe sua mensagem de defesa dos povos indígenas e do meio ambiente. 
No início de novembro, a jovem ativista, de 20 anos, participou e discursou em duas importantes conferências realizadas em Glasgow, na Escócia: a Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, a COP26, e a Conferência da ONU para a Juventude, a COY16.
Alice estuda Humanidades na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e vive entre Porto Seguro e a Aldeia Craveiro, na cidade do Prado, também no sul baiano. Desde que voltou da Europa, onde se encontrou com autoridades políticas, entre elas a prefeita de Paris e candidata à presidência da França, Anne Hidalgo, a jovem tem tido dificuldade para voltar à aldeia.
 

“Desde que voltei de lá [da Europa], estou nessa de querer voltar para casa, de ir para minha aldeia, de ver minha mãe. Não consegui ainda, para você ter ideia de como está corrido, está uma loucura isso aqui”, conta Alice.
Ela também relatou como foi o processo de se tornar uma ativista indígena e se politizar: “Venho de uma família que há muito tempo muitas pessoas foram lideranças. Minha mãe, inclusive. Cresci acompanhando essa fase dela, de ser uma liderança e falar enquanto mulher indígena nesses meios, sempre muito preocupada com o que vem nas nossas comunidades”.
Nas redes sociais, somando Twitter e Instagram, Alice é seguida por mais de 230 mil perfis. Uma dessas seguidoras é a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que é a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz e defensora dos direitos das mulheres.
Em publicação nas redes sociais, Malala sugeriu aos seus mais de dois milhões de seguidores que acompanhem as publicações de Alice, considerada pela paquistanesa como uma jovem liderança que deve ser ouvida e acompanhada de perto pelo planeta. 
“Política nunca foi só voto, sempre foi solução. A gente precisa aprender a usar essa solução, como a gente quer usar. Mas principalmente pensar que existe a democracia e que nós estamos aqui para fazer isso funcionar cada vez mais. A gente não faz isso funcionar se elegemos um governo que não nos escuta, não nos apoia e, principalmente, que não se importa com as vidas que a gente perde”, enfatiza Alice. 
A reportagem de O TEMPO conversou com a jovem indígena e publica abaixo, na íntegra, o resultado desse bate-papo sobre política, lideranças, meio ambiente, novas tecnologias e eleições.
O TEMPO: Como você despertou para essa consciência política e ambiental? Como foi esse processo de se tornar uma ativista?
ALICE: É uma coisa muito presente no nosso crescimento dentro de uma comunidade indígena. Fazer parte da luta do movimento indígena é uma coisa que não é bem uma escolha, está ali e acontece simplesmente. Foi justamente o que aconteceu comigo, venho de uma família que há muito tempo muitas pessoas foram lideranças.
Minha mãe, inclusive. Cresci acompanhando essa fase dela, de ser uma liderança e falar enquanto mulher indígena nesses meios, sempre muito preocupada com o que vem nas nossas comunidades. Saí um pouco dessa linha, indo do movimento indígena para o movimento ambiental no geral.
Isso principalmente quando a gente começa se entender enquanto pessoa o quanto a gente também é afetada por tudo o que acontece no mundo. Isso foi algo muito crescente e hoje sou muito feliz e grata pelo fato de que consigo incentivar outras pessoas e jovens a fazer o mesmo. Essa não é uma causa só nossa, nem de um grupo seleto de pessoas. Tem que ser uma solução para todo mundo. 
O TEMPO: Como foi, para você, essa experiência de se reunir e conversar com autoridades europeias na COP26?
ALICE: Estar na COP é um acontecimento na vida de todo ativista. Foi um acontecimento para mim. Tivemos algumas agendas em Paris antes do começo da COY e da COP, participei das duas. Foi muito importante me alinhar com outros jovens.
Tinha muitos jovens brasileiros, foi um motivo de muito orgulho, de ver que a juventude brasileira participa dessas discussões. Ainda não de maneira efetiva, a gente espera muito que também esteja nas mesas de decisões daqui algum tempo. Esse é um processo de uma mudança muito importante que já tem acontecido.
Quando a gente chega lá, somos recebidos por essas pessoas e entendemos que muita gente está preocupada com o que está acontecendo no Brasil, porque isso afeta elas também. Essas discussões foram muito presentes durante todo momento, onde a gente se organizou e pensamos em maneiras de conectar ainda mais esses laços do ativismo entre os países para que estejam presentes não só na COP, mas dentro dos nossos territórios, dos nossos países, de uma maneira mais efetiva, que a gente consiga dialogar, trazer soluções e levar soluções para eles também. 
O TEMPO: Quais são as suas ideias para adiar o fim do mundo, pegando o gancho do livro do Ailton Krenak?
ALICE: Assim como você falou de pegar o gancho do livro do Ailton, eu acredito muito numa coisa que ele fala. Não dá mais para adiar o fim do mundo, mas a gente tem soluções que podem tornar isso um pouco mais distante.
Acontece que a gente está muito preocupado em definir metas. A gente define muitas metas, mas nunca alcançamos elas, a gente nunca leva isso realmente a sério. O que mais precisa acontecer para que a gente enxergue como um problema social? O que mais a gente precisa para vivenciar isso e entender que é um problema que precisa ser discutido e solucionado agora.
Estamos falando de diminuir a emissão de carbono e uso do carvão mineral para 2030, será que temos tanto tempo assim? Estamos vendo situações cada vez piores quando se trata de clima. Até falei sobre isso, porque a minha região, que é o extremo sul da Bahia, está sofrendo uma enchente e diversas cidades já foram afetadas aqui. Isso não é comum, principalmente nessa época do ano. O que mais a gente está esperando para poder tratar isso como um problema ambiental?
Dizem que é uma nuvem que passou, mas não é tão simples assim. Existe toda uma questão por trás que vem justamente disso, o aquecimento global está batendo na porta e a gente está fingindo que não está em casa, mas a gente está. Estamos criando mais lixo, tornando as coisas ainda mais difíceis para botar um fim. 
O TEMPO: Como a sua família tem recebido o seu ativismo, te apoiam?
ALICE: Tenho muito apoio da minha família, da minha comunidade. Mas fica aquela questão, eu não volto muito para casa agora. Isso dificulta muito para mim. Desde que voltei de lá [da Europa], estou nessa de querer voltar para casa, de ir para minha aldeia, de ver minha mãe.
Não consegui ainda, para você ter ideia de como está corrido, está uma loucura isso aqui. Voltei no dia 6 de novembro e até então não consegui voltar [para a aldeia]. Estou em Porto Seguro, onde moro por conta da faculdade, mas ainda não fui para a aldeia.
No meio de tanta confusão, outras agendas, esse reencontro não aconteceu ainda. Mas tenho muito apoio da minha família e da comunidade, sem esse apoio nada seria possível, porque se trata de uma relação mental, física e espiritual. Eu volto muito pesada às vezes. Me recarrego justamente ali, faz todo sentido para mim. 
O TEMPO: Como você tem percebido a reação dos homens indígenas frente a essa projeção que as mulheres indígenas têm conquistado, como você, a Txai Suruí, a deputada federal Joênia Wapichana e tantas outras?
ALICE: De um modo geral, estou vendo bem positivamente. Primeiro encontro que tive, depois de uma projeção muito grande, com muitas pessoas e povos indígenas, foi no Acampamento Terra Livre (ATL), fui para a Marcha das Mulheres, em Brasília.
Foi incrível estar ali com aquelas pessoas e principalmente porque rolou de as pessoas entenderem o que a gente está fazendo, de quererem ajudar. Realmente reconheceram o que temos feito. Existe esse apoio. Essa é uma luta legítima, que está dentro do nosso movimento também. Quando as pessoas começam a abraçar essa causa, é a sensação de dever completo, estamos fazendo o que é certo. 
O TEMPO: Quem são as lideranças que te inspiram atualmente? O que elas defendem?
ALICE: Primeiro a minha mãe, que sempre foi muito presente, principalmente na questão da educação indígena. Eu cresci acompanhando essa luta dela pela educação nas comunidades de uma maneira realmente respeitável, que respeitasse a nossa cultura e costumes. Tive o prazer de vivenciar isso. Sem dúvida ela é o meu maior exemplo de liderança.
Entre as outras lideranças, com certeza a Txai Suruí, que é uma grande amiga minha. A gente sempre fala disso porque somos jovens e nos conhecemos há pouco tempo. Mas temos uma ligação muito forte e nos apoiamos muito na luta que cada uma faz, apesar da vida muito corrida.
Eu trato também com muito carinho o ex-cacique da minha aldeia, o cacique Araticum, e o meu atual cacique, da Aldeia Craveiro, que são pessoas que sem dúvida não só incentivam muito meu trabalho, mas também fizeram parte da formação de liderança que sou hoje. São as pessoas que quero ter mais próximas de mim. 
O TEMPO: Tem um preconceito muito comum entre alguns brasileiros quando se trata de indígenas utilizando as redes sociais, como no seu caso, que é o “índio de iPhone”. Como você reage a esse tipo de preconceito? E o que você tem a dizer para essas pessoas?
ALICE: Toda vez que escuto isso, primeiro corrijo a pessoa, não é índio. Eu sou indígena e, sim, estou usando um iPhone, mas trabalhei e comprei. Não esperei isso aqui da Funai, a Funai nunca deu nada para a gente, diferente do que as pessoas pensam. É um preconceito não só pelo fato de que as pessoas estão incomodadas com o que está acontecendo, a gente está ocupando esses espaços também.
Mas também são pessoas muito ignorantes a respeito das nossas lutas e do que a gente faz de verdade. Que acham o que o indígena só é indígena se a cultura dele for especificamente ficar dentro da floresta. Não é assim que funciona. A tecnologia chega para todo mundo, a inovação chega para todo mundo.
A gente precisa entender que tudo isso mudou muito na vida de todas as pessoas, e também mudou para a gente. Aprendemos a usar [a internet] como ferramenta de luta, que não nos tira do que a gente é, mas que fortalece nossas raízes, os nossos conhecimentos e compartilhamos isso com outras pessoas.
Muita gente tenta entender e acompanhar a gente nas redes sociais, e tem essa galera que fala esse tipo de coisa, mas acho que em algum momento, sou muito de esperança, vai ter aquela coisinha que vai tocar o coração e vamos conseguir mudar essa história. Mas são 521 anos falando desse jeito, não é num estalar de dedos, mudar toda uma História é mais complexo que isso. 
O TEMPO: Continuando no assunto das redes sociais e povos indígenas, como você tem observado essas novas gerações de indígenas ativistas, lideranças e influenciadores que ganham notoriedade pelos novos meios de comunicação, nas redes sociais, YouTube, etc?
ALICE: Quando a internet chegou para mim, na minha comunidade tinha muito essa preocupação do que ela vai fazer agora, vai afastar os nossos jovens? Vai tornar a vida de cada um cada vez mais individual? A relação coletiva que a gente tanto preza, será que vai ser esquecida? Era isso que a gente se questionava. A gente começou a entender hoje que isso também é possível, a gente sabe disso. Mas quando usamos da maneira correta e orienta a juventude a usar de maneira correta, pode ter bons frutos também.
Essa é a coisa que aconteceu comigo e com outros jovens, e espero que aconteça com cada vez mais jovens. É muito importante a gente ocupar esses espaços e falar sobre tudo. A questão é: a juventude precisa se expressar, às vezes isso nos é muito restrito, e não precisa ser. Nós também fazemos parte da política hoje, não é no futuro. Eu e a Txai falamos assim: não se trata de futuro, a gente também é presente. Então que a gente comece a fazer isso agora. A gente pode sim participar da política, falando sobre isso.
Temos muito mais conhecimento do que as pessoas imaginam e a gente quer compartilhar isso. São questões que estamos levando para outras pessoas, incentivamos que outros jovens se conectem. A gente fala muito de oferta e procura para o mercado, também estamos falando de oferta e procura nas redes sociais.
Às vezes quero saber de um assunto ao qual não tenho contato na minha vida, e ali vou encontrar essa comunicação e entender outros lados, outras histórias, outras perspectivas, outros grupos étnicos. É muito importante que a gente tenha esse momento de nos conectar com as pessoas, de entender e de ouvir.
O TEMPO: Você mencionou que os povos indígenas têm muito conhecimento, muita sabedoria. Uma confusão que é comum é falar de povos indígenas como se fosse um povo só, temos centenas de povos indígenas no Brasil. O que você pensa disso e o que o seu povo tem te inspirado a transmitir para as pessoas?
ALICE: Quanto a isso, a gente sempre fala para as pessoas que somos mais de 300 povos, estamos falando mais de 770 línguas. A gente quer que as pessoas respeitem isso. Para mim não é dialeto, é a minha língua. O Brasil não reconhece como língua, mas falamos línguas independentes, muito diversas. Apesar de todo esse processo de genocídio que a gente vive no Brasil, isso ainda é muito presente. Meu povo passa por um resgate cultural, nós fomos um dos povos mais afetados pela colonização, fomos os primeiros povos em contato.
Mas também é uma mudança extrema, a gente busca isso e quer realmente voltar a muitas questões, principalmente à linguagem. A gente busca tornar a língua cada vez mais falada dentro das comunidades. Hoje a gente consegue fazer isso graças às escolas indígenas, onde aprendemos a nossa língua, tem uma matéria específica para falar sobre os nossos costumes, aprender vocabulários. As pessoas perguntam assim: ‘Não é chato, como aprender inglês?’, falo que nunca foi. Com certeza é a aula mais esperada na nossa escola, toda a turma fica louca.
Quanto ao que eu aprendo muito com o meu povo, são essas relações de vivência e de coexistência com a natureza. É o que mais levo adiante, quero que as pessoas conheçam e reconheçam, porque quando a gente entende isso e vivencia algo tão forte assim, não precisamos daquele lembrete para executar as ações que vão mudar o mundo e que vão melhorar a nossa breve passagem. Eu entendo que a gente não vai ficar aqui para sempre, o mundo não é nosso.
Estamos aqui cuidando para quem vai chegar depois. A gente tem mais consciência disso, porque podemos até partir, mas alguém ainda vai precisar disso aqui, então que a gente tenha um pouco mais de humanidade. A gente fala tanto disso mas é algo tão distante da realidade, que às vezes me pergunto se a palavra é realmente “ser humano”. Porque às vezes parece que é tão ruim. Então que a gente se questione mais também sobre isso, vale muito a pena a reflexão. 
O TEMPO: Em todas as suas manifestações e mensagens a gente percebe o quanto você é politizada. Por isso, e aproveitando essa oportunidade de entrevista, queremos saber da sua percepção sobre um discurso frequente do presidente da República Jair Bolsonaro, que afirma que os indígenas querem garimpar, criar gado, desmatar, que indígenas e seus rituais botam fogo na floresta Amazônica. Qual é a sua opinião sobre essas declarações?
ALICE: Nunca presenciei isso, de necessitar de um ritual em que precise colocar fogo na floresta. Nunca vi nem sequer ouvi falar sobre isso. A gente precisa pensar muito quando afirmamos certas coisas, e a gente percebe que o nosso presidente não faz isso. Talvez seja a ignorância ou a inteligência que falta, de política também, tem o fato de que não é uma pessoa tão politizada assim.
São coisas extremas, a gente precisa ter muito cuidado com o que a gente fala, principalmente na posição em que ele está. Isso não só incita mais o ódio contra os povos indígenas, como faz as pessoas acreditarem que a gente realmente é conivente com todo esse genocídio que acontece por trás de tudo isso. A gente não é. Quando falo isso, também me refiro a essa afirmação de “ah, os indígenas querem garimpar”. Será que a gente quer mesmo? Quando foi que se ouviu isso? A gente quer alternativas e soluções para lidar com a fome dentro das comunidades indígenas.
A gente precisa de soluções para lidar com a saúde e educação indígenas, principalmente para dar condições de vida digna às famílias que vivem ali, mas não é através do garimpo que a gente conquista isso. A gente quer soluções, quer trabalho, mas não é dessa maneira. Entendemos que é necessário existir o mínimo de compreensão quando se trata de manter a nossa vida e a da floresta conectadas.
Não queremos perder aquilo que tanto lutamos para ter. Os nossos territórios estão constantemente ameaçados, a gente vê as notícias que chegam sobre o garimpo, a fome, as mortes que acontecem. Tudo isso é financiado por alguém, tenha certeza que não é por nós, muito menos por nossa escolha. Se a gente está indo denunciar tudo isso não é porque estamos felizes com a situação. Que as pessoas tenham o mínimo de consciência.
Ele [presidente Bolsonaro] fala: “Ah, tem indígenas que vêm pedir isso”. Quem são essas pessoas, quem são esses indígenas? Essa pessoa fala por uma comunidade, fala por um povo? É uma liderança e pode falar por todo mundo que quer o garimpo no território? Isso não existe. Falta muito conhecimento das pessoas, elas voltam a afirmar e usar isso como um discurso, mas de fato não reconheço, a gente não escuta isso dentro das comunidades.
Muito pelo contrário, quando a gente vai nessas áreas afetadas escutamos muitas pessoas pedindo até “pelo amor de Deus”, porque não existe mais condição de viver num lugar daquele. A situação está se tornando cada vez mais extrema. A gente vê essa realidade constantemente, mas as soluções nunca estão chegando, é denunciado, mas a corrupção não para, essas invasões não terminam nunca. A gente vai criando mais situações em que vamos nos envolvendo nessas relações de genocídio, não sai disso, nunca acabou, não houve uma pausa do genocídio indígena no Brasil.
É uma realidade, mas também nunca foi tão falado sobre isso, nunca foi tão noticiado. Temos conquistado espaço para falar sobre o que acontece dentro das nossas terras. Isso é muito importante, é um grande passo para chegar ao que a gente busca, que é paz, o controle sobre os nossos territórios e a nossa autonomia enquanto povos. 
O TEMPO: Como estamos caminhando para as eleições federais, você tem no seu horizonte se tornar candidata a algum cargo político, seja no Legislativo seja no Executivo?
ALICE: Tem muita gente que já sonha com isso, mas eu acho que é muito distante ainda. Tenho só 20 anos, não terminei minha faculdade, acho que são planos que precisam vir na frente. Mas vai depender muito também se isso vai se tornar uma solução lá na frente e se realmente vai ser necessário. Estou esperando essa resposta. Existe uma possibilidade, mas distante. Não é para 2022. 
O TEMPO: Que importância você atribui à política e democracia? Para você, como esses conceitos estão relacionados com o seu ativismo?
ALICE: Primeiro é entender que sem política e sem a democracia que a gente construiu até hoje, nenhum direito indígena teria sido assegurado. Talvez a nossa existência também não tivesse sido. Foram elementos importantes para a gente continuar essa história e para que hoje eu estivesse aqui falando sobre isso, colocando isso como ativismo, para que eu chegasse para outras pessoas e falasse o que acontece no Brasil e o que queremos mudar na nossa realidade. Sobretudo, pensar que é a solução para tudo, para os problemas que estamos vivenciando. Política nunca foi só voto, sempre foi solução. A gente precisa aprender a usar essa solução, como a gente quer usar. A gente tem que pensar muito em quem a gente vota, no que a gente faz, no que a gente fala politicamente, no quanto influenciamos tudo isso. Mas principalmente pensar que existe a democracia e que nós estamos aqui para fazer isso funcionar cada vez mais. A gente não faz isso funcionar se elegemos um governo que não nos escuta, não nos apoia e, principalmente, que não se importa com as vidas que a gente perde. Que isso seja mais presente. 
O TEMPO agora está em Brasília. Acesse a capa especial da capital federal para acompanhar o noticiário dos Três Poderes.
 

source

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *