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Com software de espionagem e fake news, Carluxo prepara a guerra suja das eleições – ISTOÉ Independente – ISTOÉ

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21/01/2022 nº 2713
Brasil
ESTRATÉGIA Carlos Bolsonaro desenha o plano de marketing do pai nas redes e fora delas (Crédito: Divulgação)
Vicente Vilardaga
Os preparativos para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro indicam que seu filho 02, o vereador Carlos (Republicanos-RJ), à frente do gabinete do ódio e chefe dos projetos digitais e de marketing do pai, vem cheio de más intenções para o pleito, querendo investigar e infernizar a vida de adversários e invadindo equipamentos e redes para impulsionar narrativas deturpadas. Pelo menos esse é o principal objetivo dos sistemas de espionagem da empresa emiradense DarkMatter, especialista em softwares maliciosos que oferece seus recursos para governos autoritários e serviços secretos de todo o mundo interessados em informações privadas e pessoais para vigiar e torturar psicologicamente seus desafetos. Segundo reportagem do UOL, Carlos mandou um emissário para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para conhecer detalhes do sistema e negocia a aquisição do produto. Se conseguir comprá-lo – a bancada do PSOL tenta no Ministério Público impedir a transação –, ele terá mais uma ferramenta para usar na próxima corrida presidencial, na qual deverá valer todo tipo de truque sujo.
Do gabinete do ódio se espera qualquer artifício para desinformar e criar insegurança e incerteza na população, como o uso aberrante e mentiroso das mídias sociais, a derrubada de sistemas estruturantes do governo com hackers contratados mundo afora por preço de banana ou a capacidade de mobilizar milhões de agentes virtuais e robôs num piscar de olhos para atingir objetivos táticos, como mostrou a sorrateira vitória de Bolsonaro como homem do ano da revista Time em dezembro. Carlos conta com poder de fogo, apoio de extremistas americanos e vai fazer o que puder para perturbar o processo eleitoral, promovendo notícias falsas e denúncias contra os inimigos.
Agora com o DarkMatter, ele reforça suas intenções mais perversas e antidemocráticas, que se expuseram há um ano, quando se soube que ele tentava adquirir outro software espião, o israelense Pegasus. O trabalho de espionagem, fora da alçada da Polícia Federal e da Abin, faz parte do plano de ações do Gabinete do Ódio. No documento enviado ao Ministério Público, o PSOL pede que se investigue com urgência se o núcleo de comando digital do governo “pretende utilizar o programa DarkMatter para perseguir aqueles que criticam o atual presidente da República”. Pede também que “as instituições democráticas atuem para frear o viés autoritário e antidemocrático do governo Bolsonaro”.
Sem o efeito mistificador da facada em Juiz de Fora, Carlos terá que ser absurdamente mais eficiente e inescrupuloso nas mídias digitais para conseguir reeleger o pai. Ele não terá o apelo emocional de martírio e sofrimento que impulsionou a campanha passada, inclusive porque a população já se cansou dessa choradeira e durante a pandemia, Bolsonaro mostrou que é um desalmado e não merece piedade. Pelo Twitter, que na semana passada, inclusive, aumentou suas barreiras de fakenews com um botão de denúncia, a família percebeu que não terá chances de fazer o que quiser e prosperar tanto como em outros tempos. Bolsonaro já teve várias postagens negacionistas e mentirosas apagadas na rede. No WhatsApp, boicotado pela extrema-direita, o clã viu que haverá limites para mentiras e no alcance da distribuição das mensagens. Resta-lhe o indefectível Telegram, mensageiro russo com regras flexíveis, que aceita a propagação de todo tipo de absurdo, e as novas mídias extremistas, como o Gettr, criado por Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump. Nos últimos dias, Carlos promoveu sua conta no Gettr, que garante liberdade de expressão para ataques à ciência e para manifestações antivacina. Seus irmãos Flávio, o 01, e Eduardo, o 03, também usam o serviço. Em relação ao Telegram, o ministro Luiz Roberto Barroso, presidente do TSE, estuda a possibilidade de bani-lo do Brasil durante as eleições para que não se torne território livre das milícias digitais bolsonaristas.
No centro do plano de Carlos está perturbar e desacreditar as eleições de todas as formas e os recursos tecnológicos que ele tenta adquirir estão orientados para esse objetivo. Haverá um esforço específico dedicado a bombardear as urnas eletrônicas, dessa vez com a participação direta de Eduardo, conectado diretamente com os marqueteiros americanos da extrema-direita, como Steve Bannon, que acompanha com atenção o sistema de votos no Brasil. A eleição de 2020 serviu de tubo de ensaio para a família testar algumas de suas ideias e o que se viu, por exemplo, foi uma série de ataques covardes aos sistemas do TSE vindos de outros países. Atacar as urnas e defender o voto impresso estão entre as prioridades do pacote de maldades da campanha, assim como espionar qualquer um que coloque empecilhos à reeleição de Bolsonaro. Um jogo bem sujo se insinua e é hora das instituições agirem, como o TSE, para tolher os movimentos do gabinete do ódio e impedir que o processo eleitoral seja desvirtuado pela vontade autoritária do presidente e de seus filhos de se perpetuarem no poder a qualquer custo.
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