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Guerra na Ucrânia reduz vendas de PCs após dois anos de crescimento no mercado – Hardware

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As principais fabricantes de PCs estão diminuindo suas expectativas de vendas para os próximos seis meses devido à crescente inflação e sobretudo à Guerra na Ucrânia.
Portanto, o mercado de PCs para de crescer após dois anos de uma guinada impressionante causada majoritariamente pelo isolamento social advindo da pandemia.
Em 2020, a gigantesca demanda pode ser considerada um dos fatores resultantes na crise dos chips. No entanto, a crise não atrapalhou o crescimento do mercado, superior em 13% em relação à 2019. Em 2021, o mercado cresceu ainda mais, inclusive no Brasil.
Em 2021 o mercado de PCs teve um impressionante salto, mesmo com a escassez de componentes, que vem sendo um inibidor para o crescimento do mercado e tornou-se ainda mais sensível no 3º trimestre”, disse Daniel Voltarelli, analista de mercado de TIC da IDC Brasil, em uma publicação aqui do site sobre o crescimento em 2021.
Enfim, essa tendência continuou por todo o ano de 2021 e até o primeiro trimestre deste ano. Entretanto, a invasão do exército russo à Ucrânia, no final de fevereiro, atrapalhou a cadeia de produção.
Ontem (30), o presidente da TSMC, Mark Liu, mencionou sobre os impactos na cadeia de produção da indústria de chips, uma das principais fontes de componentes para PCs.
 
Liu também falou sobre a redução da produção do iPhone SE, ilustrando que a queda no mercado também afetaria os smartphones.
Agora, com a guerra ocorrendo na Ucrânia, as principais fabricantes de PCs tiveram que reduzir a projeção de seus rendimentos trimestrais com base nos prováveis impactos na oferta dos produtos.
Essas fabricantes já estão cientes da pressão, aumentando o estoque dos produtos no mercado europeu, mas temem uma elevação na inflação.
Algumas das principais marcas de PCs, como HP, Del e Asus, já orientaram os seus fornecedores a diminuir a produção para o próximo semestre, algo que o presidente da TSMC sinalizou.
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Mark Liu informou que a queda da demanda é pelo aumento do custo de componentes e materiais, resultando no consequente aumento dos custos de produção para fabricantes de chips, de PCs e celulares.
De acordo com o Nikkei Asia, algumas fabricantes menores reduziram os pedidos aos fornecedores em até 20% para o segundo trimestre, que engloba os meses de abril, maio e junho.
Um executivo de uma fabricante que fornece componentes para HP, Lenovo, Dell, Acer e Asus, disse ao jornal que as fabricantes de PCs se preocupam com a situação do mercado desde o início da guerra na Ucrânia.
“Desde meados de fevereiro, começamos a receber avisos de alguns dos nossos clientes para fabricar menos componentes e, desde o mês passado, estamos em constante comunicação com esses clientes sobre a situação dinâmica do mercado desde o início da guerra… Agora, uma das prioridades desses clientes é gerenciar cuidadosamente os seus estoques para uma nivelação varejista”, disse o executivo.
A IDC, mesma firma que analisou o crescimento do mercado em 2020 e 2021, afirma que o mercado de PCs deve diminuir para, no mínimo, um dígito único no segundo trimestre. Isso é uma revisão da própria projeção de crescimento da IDC feita há um mês.
Segundo fontes do Nikkei Asia, o mercado de computadores para uso educacional sofrerá o maior impacto, sobretudo os Chromebooks, cujas vendas podem diminuir em 40% em relação ao ano passado.
O motivo é fácil de entender: a maioria das fabricantes de PCs preferem produzir notebooks de alto desempenho — e consequentemente alto preço. A intenção é manter as margens de lucro em meio a crise dos chips, que aumentou o custo dos componentes.
Desse modo, a queda na demanda deve ser menor para outros produtos. Por exemplo, PC gamers e computadores para o uso empresarial, embora a estimativa de crescimento pré-guerra fosse maior.
A MSI, fabricante voltada ao público gamer, afirmou que o segundo semestre vai ser o pior período das operações da empresa devido à guerra.
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O presidente da MSI, Joseph Hsu, afirmou aos seus investidores que o ritmo das vendas está “devagar” em alguns países da Europa. Hsu informou que o nível de estoque da MSI é “consideravelmente alto” no momento.
Não foi apenas a MSI que sentiu o impacto direto do conflito que ocorre no leste europeu. Aliás, várias fabricantes de afirmaram que a guerra atrapalhou bastante o mercado de PCs e seus negócios.
Um diretor de uma grande fabricante americana de PCs disse ao Nikkei que a projeção interna da empresa ainda contava com um crescimento considerável em relação ao ano passado.
Entretanto, agora a empresa já não enxerga mais esse crescimento e, em vez disso, projeta um declínio anual de vendas.
Um executivo de uma empresa que fornece componentes para a Asus e para a Microsoft afirmou que a guerra na Ucrânia causou uma desordem nos mercados de consumo da Rússia e da Ucrânia, cuja população combinada é de 190 milhões de pessoas.
“As transações financeiras estão um caos e as marcas estão sob pressão para acabar com o estoque naquela região. Estamos observando uma correção de curto prazo para a cadeia de produção”.
Apple e Samsung estão entre as empresas de eletrônicos de consumo que anunciaram a suspensão de vendas e serviços no mercado russo. Desde o início da guerra, muitas empresas estrangeiras anunciaram a suspensão de suas operações na Rússia.
 
Além disso, a Acer, a Asus e a MSI também suspenderam as vendas, embora não tenham anunciado publicamente.
Em contrapartida, a Lenovo e a Acer, por exemplo, ainda não reduziram sua projeção anual aos fornecedores, pois a indústria ainda sofre com a crise dos chips.
É uma ação lógica de ambas as empresas porque se reduzirem os pedidos agora, será difícil garantir os componentes futuramente.
Por fim, algumas fabricantes de PCs esperam que a demanda do mercado se recupere caso a guerra na Ucrânia termine em breve.
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