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Disney aposta em imersão e lança hotel temático de Star Wars nos EUA – UOL

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Carina Ja tinha um olhar desconfiado no rosto enquanto examinava o saguão do hotel Walt Disney World. O check-in tinha sido fácil. Mas agora os funcionários a bombardeavam com uma saudação estranha (“Boa viagem!”) como parte de um jogo de RPG, cujos parâmetros não eram totalmente claros. De repente, uma sirene soou, luzes vermelhas piscaram e Stormtroopers apareceram com rifles blaster em punho.
O olhar lateral de Ja se transformou num sorriso. “Isso parece realmente perfeito”, disse ela. “Mas ainda não sei se a Disney vai conseguir. É fácil errar com ‘Star Wars’, como vimos nos três últimos filmes.”
Ui! Ela é uma fã intransigente de “Guerra nas Estrelas” –exatamente o tipo de pessoa que a Disney visa com sua mais recente atração na Flórida, que reflete um esforço constante da empresa para criar ofertas “premium” e atrair hóspedes que desejam uma experiência mais íntima: mais personalização, menos espera na fila com as massas suadas.
Mas não tenha medo. Ja, uma modelo e influenciadora do TikTok, logo estava comendo na mão da Disney. “É uma das coisas mais legais que já vi”, disse ela, emocionada.
Este é “Star Wars: Galactic Starcruiser”, um experimento caro no que se poderia chamar de hospedagem imersiva. São partes iguais de hotel de luxo, teatro interativo, passeio em parque temático, comida como entretenimento, caça ao tesouro digital e role-playing game (RPG). Os convidados são encorajados a se vestir com roupas de “Star Wars”. Esqueceu de trazer suas caudas de cabeça Togruta? A loja de presentes Starcruiser venderá um par por US$ 100. Precisa de um penteado em estilo alienígena? Você também pode pagar por isso.
Aqui, você não reserva um quarto para a noite. Você ostensivamente “embarca” em um transatlântico espacial de 275 anos chamado Halcyon, viaja para um planeta de “Guerra nas Estrelas” e volta. Todas as “viagens” são de duas noites. As cem “cabines” não têm janelas. Estrelas, planetas e chuvas de asteroides são visíveis em telas de vídeo. Ao longo da “viagem”, suas escolhas em um aplicativo de acompanhamento determinam se você é recrutado para ajudar a malvada Primeira Ordem ou a corajosa Resistência, clube que inclui um clandestino peludo: Chewbacca.
À medida que a história se desdobra, os membros da tripulação e personagens fantasiados de “Star Wars” interagem com os convidados. Você pode ser solicitado a entregar uma mensagem secreta ou enviado para a sala de máquinas para ajudar a consertar uma válvula de combustível. Em grupos, os hóspedes são convidados a participar de treinamentos de sabre de luz. Outra atividade envolve assumir o controle da ponte e trabalhar em equipe para impedir um ataque imperial.
A estadia de duas noites inclui uma visita ao Galaxy’s Edge, o parque temático “Star Wars” (dentro de um parque temático) que a Disney abriu em 2019; uma apresentação durante o jantar por uma diva Twi’lek; e aparições surpresa de personagens como Yoda, Rey e Kylo Ren. Um simulador de transporte espacial é usado para viajar de e para o Starcruiser Halcyon.
“Segure-se com as mãos, tentáculos e outros apêndices”, entoa uma voz sobrenatural quando a nave de passageiros para Galaxy’s Edge parte (depois que uma câmara de ar na embarcação se fecha, é claro: psssht).
Nada disso é barato, o que expôs a Disney a críticas sobre preços exorbitantes –aproveitando-se do intenso fã-clube da franquia “Guerra nas Estrelas”— e transformando o mega-resort de 103 km2 da Disney World em mais uma terra de ricos e despossuídos. A passagem no Galactic Starcruiser para uma família de quatro pessoas custa cerca de US$ 6.000 (R$ 30,8 mil). Uma suíte modificada pode custar até US$ 20 mil (R$ 102,8 mil).
Os preços incluem quartos, estacionamento com manobrista, atividades e entretenimento a bordo quase contínuos, entrada no Galaxy’s Edge, acesso expresso a passeios “Star Wars” e todas as refeições, algumas das quais são extravagantes. Ao contrário de muitos navios de cruzeiro, no entanto, copos de cerveja (US$ 13,50; R$ 69) e de vinho (US$ 11; R$ 56 ou mais) custam mais, assim como bebidas especiais como Mark of the Huntress (US$ 23), que incorpora bourbon, xarope de groselha preta com infusão de pêssego, limão e “bolhas cintilantes”.
Você pode pagar US$ 30 extras por pessoa para se sentar à mesa do capitão na sala de jantar Crown of Corellia do cruzeiro estelar (disponibilidade limitada). O preço do cabelo e maquiagem dos personagens no quarto ainda está sendo definido, de acordo com um porta-voz. Os hóspedes também podem contratar um fotógrafo da Disney, com preço inicial de US$ 99, que pode incluir até oito convidados por sessão.
“Fizemos o primeiro de algo com que esperamos mudar a maneira de pensar nas possibilidades de experiências imersivas”, disse Scott Trowbridge, o executivo criativo da Disney, ou “imaginador”, que supervisionou o desenvolvimento e a construção do Galactic Starcruiser. “Algumas pessoas ainda o chamam de hotel Star Wars, o que não é o que essa experiência é.”
(Como parte de um evento de mídia de pré-inauguração, um repórter do New York Times se hospedou lá. A Disney se recusou a aceitar o pagamento, mas sugeriu uma doação de caridade de US$ 1.000 para uma estadia de duas noites. O Times fez uma doação nesse valor para Second Harvest Food Bank of Central Florida, que atende a área ao redor da Disney World e ajudou a dispensar funcionários da Disney durante a pandemia.)
Um rugido furioso de Wookiee emanou do canto “Star Wars” da internet quando a Disney começou a comercializar o hotel-show-passeio-jogo. Alguns fãs acharam que o interior parecia barato e reclamaram que –com base apenas nas imagens de marketing– faltavam as características distintivas do universo de “Star Wars” e, em vez disso, parecia que Space Mountain e “The Love Boat” foram colocados em um liquidificador. “O maior fracasso da Disney?”, perguntou um vlogger de parque temático em uma postagem de dezembro de 2021.
A Disney acabou removendo alguns materiais de marketing de seu site.
“As especulações do mundo exterior eram inevitáveis porque isso nunca havia sido feito antes”, disse Josh D’Amaro, presidente da Disney Parks, Experiences and Products, falando com um repórter no corredor de um cruzeiro estelar na terça-feira. “E eu não me importei com isso. As pessoas devem nos manter no mais alto padrão possível. Eu também sabia o que estava esperando lá dentro, que nossos imaginadores haviam criado um nível totalmente diferente de surpresa e deleite.”
Mesmo os analistas que seguem a Disney não sabem muito bem o que fazer com isso.
“Crescer ou voltar para casa?”, Michael Nathanson, sócio da MoffettNathanson, disse em um email em resposta a uma pergunta sobre que estratégia de negócios o Galactic Starcruiser refletia. “Ultimamente, seus esforços aumentaram o ‘fator uau’.”
Nathanson disse que não está claro quanto custou a construção do Galactic Starcruiser. Jessica Reif Ehrlich, analista de mídia do Bank of America, também não tinha uma estimativa.
Ehrlich observou que a demanda no Walt Disney World explodiu quando os Estados Unidos começaram a sair da pandemia de coronavírus. O resort, que inclui seis parques com preços separados, 19 hotéis e clubes de férias de propriedade da Disney (mais de 18 mil quartos), foi quase totalmente reaberto. Este mês, a Disney relaxou bastante seus requisitos de máscaras para os hóspedes. Em 22 de abril, ela reiniciará alguns desfiles noturnos e fogos de artifício.
Na sexta-feira, os ingressos para os três parques mais movimentados do Disney World estavam esgotados. “A demanda reprimida é extremamente alta”, disse Ehrlich em um e-mail. Em termos de participação anual, “os visitantes internacionais representam cerca de 20% do total, e ainda nem voltaram!”, acrescentou.
O Galactic Starcruiser terá sua grande inauguração na terça-feira (1º). Março, abril e a maior parte de junho estão esgotados.
A Disney começou a trabalhar no projeto Starcruiser há cerca de seis anos, disse Trowbridge, como parte de seu projeto para o Galaxy’s Edge, uma adição de US$ 1 bilhão de “Star Wars” ao parque temático Hollywood Studios da Disney World. Galaxy’s Edge era sobre entretenimento de massa, enquanto o starcruiser foi concebido para intimidade. “Não queríamos que fosse tão grande que as pessoas perdessem a sensação de ‘eles me veem'”, disse Trowbridge.
Na época, os setores de hospitalidade e varejo estavam se reposicionando para os consumidores da geração do milênio. Ficar em um hotel? Compras em uma loja? Que banal. Cada vez mais, criar “experiências imersivas” era o ingresso para a relevância, e quanto mais a experiência entrelaçasse os mundos real e virtual, melhor. O teatro interativo também estava se tornando moda, sendo “Sleep No More” em Nova York um excelente exemplo. (Os membros do público criam sua própria história entrando em salas diferentes e escolhendo, ao longo de várias horas, quais personagens seguir e quando.)
Mas esse era um terreno desconhecido para a Disney, que não gosta de deixar nada ao acaso. Na verdade, a empresa passou décadas aperfeiçoando o oposto.
Os parques da Disney sempre foram sobre a imersão dos visitantes em uma história, é claro, seja transportando-os para o castelo da Cinderela ou para um mar do Caribe cheio de piratas. Mas a maioria dos passeios da Disney são experiências passivas. Você senta e algo acontece. Os visitantes jovens agora esperam mais: eles querem fazer parte da ação e até influenciar o resultado.

Galactic Starcruiser leva a imersão ao extremo. Se os hóspedes chegarem no primeiro minuto autorizado e ficarem até o check-out, terão 45 horas dentro de um jogo. A Disney sempre chamou seus funcionários de membros do elenco, mas as pessoas contratadas para a equipe do hotel vão um passo além; todos, até mesmo os mensageiros, são residentes do universo de “Guerra nas Estrelas” que permanecem no personagem quando você faz uma pergunta.
“Se você desejar uma bebida do seu mundo natal, por favor, peça”, diziam os menus de bebidas dentro do Sublight Lounge do navio. Os secadores de cabelo nos quartos são rotulados como “sopradores térmicos”. Os talheres no jantar incluem pares de pinças gigantes chamadas “agarradores galácticos”. Pressione um botão em sua cabine e um droide de logística, D3-O9, aparece em uma tela de vídeo para conversar, com o diálogo mudando de acordo com suas respostas.
Não se preocupe, diz D3-O9, “não consigo ver sua cabine”.
Isso pode ser um pouco demais se você não for um fã fervoroso de “Star Wars”, embora Trowbridge tenha notado que os convidados escolhem seu próprio nível de dramatização. “Tem que ser divertido para as pessoas que amam ‘Star Wars’ e para as que amam as pessoas que amam ‘Star Wars'”, disse ele.
Muito? Pequeno demais? Apenas o suficiente? Não parecia importar para Jude Steakley, 7, que vagava pela prévia da mídia do cruzeiro estelar em um capacete e suéter Mandalorianos. Ele estava com o pai, um técnico da Disney, e se empolgou com a ponte do navio, onde aprendeu a “explodir coisas e estourar coisas”.
Essa não foi a melhor parte da viagem, no entanto. A melhor, disse Jude, foi “estar junto com meu pai”.
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves
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