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Futebol e eSports: jogadores como Neymar e Casemiro criam suas equipes – UOL

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ESports crescem no mundo do futebol, e já tem craque dos campos dono de equipes profissionais dos games
Esqueça truco, cacheta ou pôquer. Os jogos de baralho, já há algum tempo, deixaram de ser os passatempos preferidos dos boleiros nas concentrações. O posto foi tomado pelos games, em celulares, computadores ou consoles.
É cada vez mais comum ver postagens de atletas nas redes sociais jogando algum tipo de game, seja um simulador de futebol, como Fifa e PES, ou os famosos FPS (First Person Shooter — jogos de tiros em primeira pessoa), como Counter Strike, Call of Duty ou Fortnite.
Com a paralisação do futebol e a impossibilidade de sair de casa, os games se tornaram ainda mais populares. Foi nesse período que diversos jogadores, entre eles Neymar, passaram a mostrar (mais) seu lado ePlayer —alguns deles transmitem suas sessões para milhares de seguidores pela plataforma de streaming Twitch, com alcances comparáveis ao que conseguem pro-players e influenciadores que vivem disso.
Além de jogar e “streamar” (transmitir ao vivo as sessões), muitos jogadores foram além: estão investindo em suas próprias equipes profissionais de eSports, se tornando CEOs. Alguns pensam apenas em fortalecer o cenário por afinidade. Outros veem nos eSports um investimento com retorno certo. Os games invadiram o mundo do futebol.
Os motivos para investir no eSport variam. Muitos atletas de futebol começaram como apaixonados pelo universo, conheceram pro-players e resolveram fortalecer o cenário. Para isso, investiram na criação de suas próprias equipes.
“A ideia surgiu quando eu comecei a jogar Fortnite e conheci alguns jogadores bons e pensei em criar uma equipe. Hoje, temos Fortnite, Fifa Pro Clubs e está surgindo Valorant, também. Queremos expandir para todas as modalidades, mas precisamos de mais tempo e conhecimento em todas as áreas”, contou Douglas Costa, jogador do Bayern de Munique e dono da DC Team (foto abaixo).
“Quero usar a minha imagem para ajudar a fortalecer ainda mais esse mundo dos games. Nossa ambição é ganhar títulos e abrir portas. Meu objetivo principal é contribuir para a profissionalização dos eSports”, afirmou Casemiro, volante do Real Madrid e da seleção brasileira.
O investimento depende da quantidade de integrantes da equipe e em quais games a organização atua. Para se ter uma ideia, uma equipe de Counter-Strike, com cinco pro-players e um treinador, tem gasto mensal de cerca de R$ 30 mil.
Esse tipo de investimento é baixo para quem pensa no futuro. Danilo Avelar, zagueiro do Corinthians, por exemplo, vê a criação de uma equipe como uma aposta.
“Como todo investidor, você sempre acredita que terá um retorno. Ninguém rasga dinheiro. Além de proporcionar qualidade para que joguem em alto nível, como investidor, eu aposto em retorno financeiro, obviamente. Acredito que esse mundo vai ter uma ascensão gigantesca e acho que quem surfar essa onda agora vai ter uma supervalorização lá na frente “, projetou Avelar.
O zagueiro se associou recentemente à Bears e possui uma line-up de CS:GO (jogo de tiro), game pelo qual é apaixonado desde a adolescência.
“Juntei meu lado empreendedor com essa paixão. Enxergo a vida dos jogadores profissionais de games muito parecida com a nossa no futebol, em termos de entrega, competitividade, dedicação e compromisso. Consigo levar experiência para a organização e isso foi uma vantagem: saber lidar com torcida, pressão e entender o adversário”, disse Avelar ao UOL Esporte.
Como já deu para perceber, ser um pro-player de algum eSport não é somente “jogar joguinho”. É, de fato, uma profissão. Uma equipe exige estrutura e algumas, como a Bears e-Sports, de Danilo Avelar, possuem “gaming houses” — locais onde os jogadores moram e treinam. E como todo trabalho, o retorno financeiro tem que ser compatível. A média salarial para os profissionais é de R$ 4 mil, mas têm jogadores que chegam a faturar R$ 15 mil por mês. Nos campeonatos, a premiação é em dinheiro.
Donos de uma das principais equipes do cenário, o Team Vikings, o zagueiro Kaique Rocha, da Sampdoria (ITA), e o atacante João Pedro, do Watford (ING), comemoraram recentemente o título do Ultimasters, importante competição do calendário de Valorant, que rendeu R$ 15 mil em premiação.
“Eu e o João Pedro nos conhecemos na seleção de base e tínhamos interesse pelo Fortnite. Jogamos juntos e mantivemos essa relação por causa do jogo até que enxergamos uma oportunidade de investir. O projeto tomou forma, cresceu e temos mais de 20 colaboradores hoje”, contou Kaique. “Vimos a possibilidade de um retorno financeiro. Temos pessoas que fazem a gestão, contratos para honrar, parceiros comerciais e de marketing, atletas profissionais… Então é 100% profissional e com retornos financeiros, com o foco de entrar em competições para vencer”, completou o atleta.
É um jogo de tiro em primeira pessoa para PC, em equipe, lançado em 2020. Como é mais jovem que os outros, o primeiro campeonato mundial foi anunciado recentemente.
Lançado em 2012, é o quarto título da série Counter Strike, jogo de tiro em primeira pessoa –o usado no cenário competitivo é para PC. O "Major" equivale ao campeonato mundial e o Brasil já venceu três vezes. Gabriel "FalleN" é o principal jogador brasileiro.
De 2017, também é um jogo de tiro em primeira pessoa. Pode ser jogado em PC, Nintendo Switch, PlayStation e Xbox, em equipe ou individual. Em 2019, a Copa do Mundo de Fortnite somou 33 milhões de dólares em premiação.
Mais conhecido simulador de futebol, está disponível para PC, Xbox e PlayStation. O cenário competitivo tem disputas individuais ou em equipe (Pro Clubs, com 11 players de cada lado, como um time de futebol) e Mundiais, incluindo com o selo da Fifa. O brasileiro Henrique "Zezinho" foi o primeiro sul-americano a conquistar um mundialito.
É um jogo de futebol, mas com veículos no lugar dos jogadores. Lançado em 2015, está disponível para PC, PlayStation, Xbox e Nintendo Switch. É uma disputa em equipe e, como os outros, têm disputa de um torneio mundial.
Lançado em 2014, é mais um jogo de tiro em primeira pessoa para PC, PlayStation e Xbox. O game já possui campeonatos mundiais, mas a desenvolvedora anunciou a primeira Copa do Mundo para 2021. Os brasileiros do Team Liquid são os atuais campeões da Pro League na América Latina.
Principal concorrente do Fifa, o game era chamado Winning Eleven até 2007, quando a Konami, desenvolvedora, decidiu mudar o nome. Está disponível no PlayStation, Xbox e PC e possui modalidades competitivas individuais ou em grupo — onde cada player controla um jogador. Possui torneios mundiais e o Brasil já foi campeão com GuiFera.
É um jogo online de batalha entre jogadores e está disponível apenas no PC. Foi criado em 2009 e rapidamente ganhou o cenário competitivo — sendo um dos eSports mais estabelecidos hoje. É disputado em equipes, possui prêmios milionários e as finais chegam a ser realizadas em estádios de futebol.
É uma franquia de games das mais antigas da atualidade. Trata-se de jogos de tiro em primeira pessoa. O primeiro foi lançado em 2003 e, desde então, outros 16 títulos chegaram ao mercado entre PlayStation, Xbox, PC e mobile. O cenário competitivo existe desde 2008 e torneios são disputados a nível mundial.
É um jogo de tiro e sobrevivência lançado no fim de 2017 exclusivamente para mobile. O game virou sucesso rapidamente e ganhou o cenário competitivo, com direito a campeonato mundial. O Corinthians Bando de Loucos venceu a competição mundial em 2019.
Os eSports são um fenômeno de audiência, com torneios transmitidos por ESPN, HBO e SporTV. O mercado movimenta cada vez mais dinheiro: foram mais de 1,6 bilhão de dólares somente em 2019, segundo levantamento da Newzoo.
Em 2020, 495 milhões de pessoas assistiram a alguma competição de eSports. Para se ter um parâmetro, o último jogo da final da NBA entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warrios em 2016 somou 31 milhões de espectadores, um recorde na época, enquanto o Mundial de League of Legends teve 43 milhões de pessoas assistindo.
O Brasil tem o terceiro maior mercado do mundo, com 9,2 milhões de fãs, atrás apenas de China e Estados Unidos. Ainda assim, há espaço para crescimento dentro do território nacional, já que somente 13% da comunidade online assiste a tais conteúdos.
Até no mercado financeiro os eSports estão presentes. A equipe dinamarquesa Astralis foi a primeira, no início de 2019, a abrir capital e ser listada na bolsa de valores.
Antes dos jogadores, os clubes de futebol já tinham se inserido neste cenário competitivo. Pioneiro no Brasil, o Santos fez uma parceria com a equipe Dexterity, em 2015, criando line-ups de League of Legends (LoL) e Rainbow Six.
No ano passado, já com uma nova parceria, o Santos HotForex e-Sports venceu o Circuito Desafiante de LoL, subindo à elite da modalidade no Brasil, o CBLoL — torneio que, em 2019, teve como vencedor o Flamengo, que investiu em um elenco estelar, com Felipe “brTT” e os sul-coreanos Jin-cheol “Jisu” e Byeong-hoon “Shrimp”, para garantir o título.
“O mercado mostra que é um erro pensar que a presença nos eSports sozinha traz benefícios. Títulos e bons resultados são fundamentais, como em qualquer outro esporte. Com o agravante que marcas de futebol devem primar pela performance esportiva em todos as modalidades tradicionais ou eletrônicas em que venha a atuar. Um ciclo próspero de imagem e receitas só acontecerá com competitividade”, explica Marcelo Frazão, executivo de marketing do Santos FC.
O sucesso também chegou para o Bando de Loucos, equipe que fechou parceria com o Corinthians para competições de Free Fire (jogo de tiro e sobrevivência) e se sagrou campeã mundial em 2019.
A motivação principal de um clube de futebol tradicional ao entrar no mercado de eSports é a tentativa de se aproximar de atributos como juventude, inovação e tecnologia. Clubes bem estabelecidos passam a ter a oportunidade de acessar uma audiência mais jovem, com maior poder aquisitivo e com hábito de consumo mais ligado à tecnologia do que o perfil médio de sua torcida".
Marcelo Frazão, executivo de marketing do Santos FC
Conectar o ídolo com o fã através dos games é muito válido. Comecei a fazer as livres na Twitch para mostrar esse meu lado, me divertir com a galera, trocar uma ideia, principalmente porque estamos longe dos torcedores devido à pandemia e também pela minha lesão. Acho bacana esse retorno, deixo a galera dar uma cornetada em mim. Além do futebol, agora também me cornetam nos games, mas é divertido."
Danilo Avelar, jogador do Corinthians e associado da Bears
O mundo dos games e do futebol é uma via de mão dupla. Enquanto atletas e clubes investem em suas próprias equipes de eSports, desenvolvedoras, como a Epic Games, fazem do futebol uma isca para atrair mais usuários.
Em janeiro, a empresa, responsável pelo Fortnite, fez uma parceria com Pelé para permitir que avatares dos jogadores possam usar o gesto do “soco no ar”, eternizado nas comemorações do Rei. Além disso, disponibilizou os trajes (ou skins) de 23 times — entre eles Manchester City, Juventus, Milan, Inter de Milão e Roma, além dos brasileiros Santos e Bahia.
“Futebol é consistentemente um dos principais esportes que nossos jogadores nos pedem para ver e experimentar no Fortnite. Estamos animados com a parceria com o Santos para trazer ‘o jogo bonito’ para os fãs de Fortnite de todo o mundo”, comentou Nate Nanzer, chefe de parceria global da Epic Games, após fechar com o Peixe.
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Publicado em 12 de fevereiro de 2021.
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Reportagem: Eder Traskini. Edição: Ana Flávia Oliveira.

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