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Educação Infantil: 5 propostas para o uso de tecnologias com bebês e crianças pequenas – Nova Escola

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O período de pandemia foi, e continua sendo, desafiador, mas algo que pudemos notar é que as interações por meio das tecnologias foram uma barreira muito maior para nós, adultos, do que para crianças. Esse fato se relaciona a um debate bem pertinente: os impactos das interações com aparelhos tecnológicos na primeira infância. Sabemos, por exemplo, que o consumo diário de telas é alto em muitos lares, o que pode até comprometer a socialização com os pais e limitar outras aprendizagens importantes. 
É interessante notar que essas discussões também aparecem na própria escola. Houve um tempo em que o espaço principal nas instituições para a infância era a sala de televisão – e mesmo hoje, vivências a partir de conteúdos como vídeos e imagens se fazem presentes, como forma de instigação e ampliação de repertório. Porém, a concepção atual de aprendizagem centrada na ação da criança nos levou a favorecer outras possibilidades, como o trabalho em espaços estruturados com diversidade de materiais, e em locais abertos, com a possibilidade de intensificar o contato dos pequenos com a natureza. 
Dessa forma, partindo dessas reflexões iniciais, resolvi trazer na conversa dessa semana propostas que unem tudo isso: por um lado, contam com espaços de exploração intencionalmente preparados; e por outro, incorporam o uso de recursos de tecnologia – sempre tendo como foco favorecer o protagonismo dos bebês e crianças pequenas. 
Trata-se de vivências que eu já tive a oportunidade de desenvolver em sala de aula, mas que não se efetivaram de maneira isolada, e sim, como continuidade de investigações e de momentos organizados para a sensibilização das crianças e para a criação de diálogos com o espaço e o tempo em que estavam inseridas.
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Proposta 1 – Praia na escola
 
Essa vivência envolve a construção de cenários híbridos na sala de aula, em que  espaços e materiais podem dialogar com imagens e vídeos. Na proposta para crianças de dois anos, trouxemos alguns elementos para a sala que lembravam a praia e o mar, incluindo o uso de computador e datashow para projeções de imagens de ondas que iam e viam. 
Em determinado momento, uma das crianças suspirou forte e fez um movimento como se quisesse pular uma das ondas que se aproximavam, foi mágico! Observa-se, assim, que esse tipo de proposta se alinha com muitas abordagens e processos investigativos – eu particularmente sempre busco me desafiar no planejamento desses contextos, tendo inclusive estudado isso na minha dissertação de mestrado. 
Proposta 2: Movimento e projeção de sombras 
A possibilidade dos bebês e crianças pequenas experimentarem os efeitos da própria sombra, como a sua ampliação ou redução conforme se deslocam pela sala, é fascinante. Certa vez, projetamos um vídeo de um espetáculo de dança em que os movimentos dos bailarinos exploravam diferentes possibilidades corporais. Em certo ponto, os bebês se levantaram e passaram a acompanhar essas movimentações, criando seus próprios gestos e observando os efeitos das suas próprias sombras sob a luz, enquanto se movimentavam. 
Nessa linha, é possível também apostar em contextos investigativos com a projeção de sombras com lanterna ou retroprojetor, as quais podem ser de brinquedos, materiais vazados, elementos da natureza ou de outros objetos de contato diário das crianças.
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Proposta 3: texturas na mesa de luz
 
A mesa de luz tem se destacado como um importante recurso nas vivências com os bebês e crianças bem pequenas. Já tive a oportunidade de proporcionar a essas faixas etárias o contato, nesse equipamento, com diferentes texturas como a areia, a terra, e até a observação de pequenos animais colhidos no jardim e horta. 
Com isso, as crianças se envolvem em momentos de curiosidade, imaginação e construção de saberes, tanto pelo contato individualizado, quanto na interação com seus pares em descobertas conjuntas. Esse recurso também se alinha com variados processos investigativos e campos de experiências como traços, cores e formas, quantidades, relações e transformações. 
Proposta 4: movimentos e construção de histórias 
Essa vivência é muito interessante e envolve momentos de representação das crianças, que captam movimentos em fotos, vídeos e até de trechos de áudio, e a partir disso iniciam um processo de construção de histórias. 
Em sala de aula, já brincamos com a gravação de vídeos com movimentos das crianças representando a história clássica dos sete cabritinhos, utilizando tecidos e outros adereços. Além disso, já gravamos (com o celular mesmo) a voz das crianças em cantigas – e nessa fase de primeiras expressões por meio da fala, a possibilidade de ouvir a própria voz, ou mesmo seu balbucio e choro, permite que bebês e crianças elaborem ideias sobre si mesmos ao se observarem por uma outra perspectiva. 
Proposta 5: vibrações 
A última sugestão é uma brincadeira com microfones e caixas de som, em que as crianças possam, além de se escutarem, também sentir a vibração de suas vozes. Essa também é uma boa oportunidade para trabalhar com diferentes ritmos e até mesmo sons do cotidiano, como de animais, para que as crianças façam suas experimentações tentando acompanhar, expressar, imitar e mesmo reagir ao que estão ouvindo.
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Com isso, queridos professores e professoras, gostaria de enfatizar que todas essas possibilidades envolvem recursos simples de tecnologias – é possível adaptá-las para o uso com notebook ou celular, por exemplo – e podem ser potencialmente significativas no vasto campo das relações horizontais, simulacionais e híbridas com os bebês e crianças bem pequenas. 
Afinal, propostas como essas são experiências que envolvem sensibilização, interações com outros locais e culturas, e observação do espaço que habitam – e tudo isso contribui principalmente para o conhecimento de si mesmos, permitindo que se cumpra a premissa da Educação infantil: consolidar experiências significativas para as crianças. 
E vocês, possuem experiências com o uso de recursos tecnológicos em sala de aula, com essas faixas etárias? Sintam-se à vontade para relatar vivências e sugerir outras possibilidades, escrevendo aqui nos comentários. 
Um abraço e até a próxima.
 
Paula Sestari é professora de Educação Infantil da rede municipal de ensino de Joinville (SC), com 10 anos de experiência nessa etapa, e mestre em Ensino de Ciências, Matemática e Tecnologias. Em 2014, recebeu o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, e foi eleita Educadora do Ano com um projeto na área de Educação Ambiental com a faixa etária das crianças pequenas.
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