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Automobilismo busca ser vanguarda em tecnologia sustentável, mas meta do carbono neutro já chega até o futebol – Jornal O Globo

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O que os gases do efeito estufa têm a ver com o esporte? Tudo, é claro. Sejam produtoras diretas ou indiretas, as práticas esportivas deixam suas pegadas de carbono em grandes eventos como Copas do Mundo, Jogos Olímpicos ou corridas de automóveis, assim como qualquer outro setor baseado em combustíveis fósseis. Da mesma forma que outras áreas se mobilizam na luta contra as mudanças climáticas, o esporte também tem um papel a cumprir. E, de forma incipiente, alguns já deram o pontapé inicial.
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Quem saiu na frente, até mesmo pela matriz do negócio, foi o automobilismo. O esporte a motor, por essência, é um poluidor, ao colocar dezenas de carros movidos a gasolina em disputas frequentes durante o ano, em categorias que vão desde a Fórmula 1 aos rallies.
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Por outro lado, a modalidade tem buscado soluções a partir de inovações tecnológicas — e oferecido exemplos. Defensor da causa, o heptacampeão Lewis Hamilton mudou hábitos, como viajar de jatinho particular, e pressiona a Mercedes a desenvolver ações mais sustentáveis na produção do carro e na logística.
Há outros que estão ainda mais na linha de frente. Na quarta-feira, o piloto Lucas Di Grassi vai apresentar o painel “Como o automobilismo pode ajudar a indústria e o meio ambiente” na COP26, em Glasgow.
Di Grassi é um dos criadores da Fórmula E, categoria de carros elétricos, na qual compete. Por suas ações ambientais frequentes, tornou-se, há alguns anos, embaixador da ONU na causa do combate à poluição do ar.
— Ao contrário dos outros esportes, que são basicamente entretenimento, o automobilismo sempre desenvolveu tecnologias que depois serão usadas em massa. A Fórmula E, por exemplo, desenvolve carros elétricos cujas soluções poderão ser usadas em carros de rua. Mas têm de ser ações realmente relevantes. Há muitas empresas e esportes que fazem o green washing, que é basicamente marketing com impacto zero — argumenta o piloto.
Di Grassi comemora o fato de as mudanças climáticas estarem ganhando espaço nas discussões da sociedade e deixando de ser um assunto de nicho. Mas pondera que isso não pode passar a impressão de que o jogo ambiental está quase ganho.
— Não é tão trivial assim. É um problema de crescimento econômico com sustentabilidade e de como aplicar a tecnologia. Não é voltarmos a 1800, mas vivermos o século XXI de forma sustentável — justifica.
O piloto hoje é patrocinado por uma plataforma de crédito de carbono, que contabiliza as emissões e as neutraliza com reflorestamento e outras práticas ambientais em áreas específicas. A compensação também tem sido feita por Cacá Bueno, da StockCar, pela mesma empresa, a Moss.
A plataforma neutralizou o grid do Campeonato Alemão de Turismo com um investimento de 30 créditos de carbono (aproximadamente R$ 1.800). Estima-se que serão necessários pouco mais de 1.700 créditos de carbonos para a compensação total das atividades de Cacá, avaliados em R$ 154.700.
— Sempre tive ideia de trazer soluções ambientais para a prática do meu esporte, e a compensação veio ao encontro do que eu procurava. Mas precisamos continuar na busca por tecnologias para encontrar as melhores soluções — diz Cacá.
Não só ele entrou na onda da neutralização de carbono. A StockCar fechou parceria com a Orma, que estima que, em uma temporada, a categoria emita entre 800 e mil toneladas de carbono. O projeto também está de olho no público, que tem sido convidado a calcular, no site da empresa, as emissões de seus veículos e, com uma quantia pequena, neutralizar suas emissões.
—Haverá cada vez menos espaço para negócios que não invistam em sua neutralização ambiental. É um item da planilha de custos que veio para ficar — aposta Fernando Julianelli, CEO da StockCar.
A Fifa e o COI também têm suas agendas ambientais e projetam os próximos eventos com grande redução de carbono. No Brasil, a CBF tem um projeto ambiental desde 2016, na Copa Verde, com troféu vivo, gerenciamento de resíduos e compensação de carbono.
Neste ano, os Brasileiros masculino e feminino entraram no modelo de carbono neutro, com a compensação das emissões dos deslocamentos das equipes para os jogos. Ano que vem, serão contabilizados também os deslocamentos de torcidas.
Pela Copa Verde, mais de cinco mil árvores foram plantadas na região de Anapu, no Pará, junto com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
— Não adianta só pagar para plantar. Seria 10% mais barato se comprássemos só o crédito, mas consegui convencer que era importante deixar um legado — explica Carlos Henrique Rodrigues Alves, consultor de sustentabilidade da CBF.
Também há times atrás do selo do carbono neutro. Desde 2018, o América-MG compensa as emissões dos jogos em parceria com a ONG SaveCerrado. Neste ano, o Flamengo ganhou o patrocínio da Moss, que vê no esporte uma forma de massificar a ideia junto ao público. A parceria, que engloba o time feminino de futebol e o basquete, está em negociação para ser renovada.
— Se 1% dos rubro-negros ficarem conscientizados, serão 500 mil pessoas — resume Luis Felipe Adaime, CEO da Moss, destacando que é preciso outas iniciativas. — É o primeiro minuto, ou menos, de um jogo de 90.
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