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Você é refém do celular? Descubra se faz uso consciente da tecnologia – Jornal O Globo

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Especialistas em bem-estar e espiritualidade abordam os mais diversos aspectos e discussões referentes ao corpo, à mente e às emoções, preservando o equilíbrio e a harmonia entre elas de forma clara e objetiva.
Marcio Atalla
Formado em Educação Física com especialização em treinamento de atletas de alto nível e pós-graduação em Nutrição pela USP.
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Por Angelica Banhara

Uso de celular

“Sai do Whatsapp e presta atenção na conversa.”
“Sem celular na mesa do almoço.”
“Desliga o computador e vai dormir.”
Você certamente já ouviu ou falou alguma dessas frases. E não está sozinho. O Brasil é o terceiro país do mundo que passa mais tempo na internet e em redes sociais. Cada brasileiro gasta, em média, nove horas conectado todos os dias. O vício nas telas está no centro das discussões: nos almoços de família, nas salas de aula e entre pais desesperados com filhos abduzidos pelos eletrônicos.
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O assunto é tão sério que um grupo de especialistas criou, em 2008, o Instituto Delete com a proposta de orientar e informar sobre o uso consciente das tecnologias. Trata-se do primeiro núcleo no Brasil especializado em Detox Digital e institucionalizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, profissionais da área da saúde, comunicação e educação estudam a interferência das tecnologias no comportamento e oferecem suporte e tratamento aos usuários abusivos.
“A dependência digital não está diretamente relacionada ao tempo de conexão aos dispositivos eletrônicos, mas sim ao nível de perda de controle na vida real, gerando prejuízos nos campos profissional, familiar, afetivo ou social”, diz Eduardo Guedes, pesquisador do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e membro do Delete.
Guedes explica que há cinco dimensões que podem traduzir os níveis de perda de controle.
1 – Excitação e Segurança: quando a pessoa experimenta uma falsa sensação de satisfação ao utilizar a tecnologia.
2 – Relevância: a pessoa sente necessidade de estar conectada o tempo todo.
3 – Tolerância: o internauta gasta cada vez mais tempo no celular ou computador e passa a substituir programas reais por virtuais. Começa a haver perda de controle.
4 – Abstinência e Efeitos: quando a pessoa não está conectada se torna irritada e ansiosa. Podem surgir alterações no padrão do sono ou alimentação e sinais de depressão.
5 – Evidências de conflitos: quando o uso excessivo compromete as relações na vida real, interferindo na educação, no desempenho profissional e nas conexões pessoais. Este é o momento em que muitos percebem o problema, mas se sentem incapazes de reduzir ou parar. Hora de procurar ajuda.
Dicas para o uso digital consciente do celular:
– Ao dormir, deixe o celular desligado, no “silencioso” ou longe do alcance.
– Silencie o celular nas refeições. Respeite as pessoas ao seu lado, valorize o momento presente e privilegie as relações ao vivo.
– Evite falar ao celular em lugares públicos, como elevador, transporte coletivo ou restaurante. Sua conversa é individual e não deve ser compartilhada.
– Não use o celular enquanto dirige. O risco de mandar mensagem no volante equivale a dirigir após tomar quatro copos de cerveja.
– Crie horários específicos para navegar nas redes sociais e defina limites de tempo.
Se a mensagem não for para o grupo, envie diretamente para a pessoa. Assim, evita exposição desnecessária e problemas de comunicação com falsas interpretações.
Faça uma limpeza nos contatos de redes sociais. O número de amigos virtuais ou curtidas não é indicador de sucesso e popularidade.
– Revise as políticas de privacidade. Garanta que suas postagens sejam divulgadas apenas para pessoas seu círculo pessoal. Evite que detalhes da sua família ou vida pessoal sejam acessados por qualquer pessoa.
– Atenção à postura e a movimentos repetitivos ao usar mídias digitais. Estudos indicam que o uso excessivo de celular está relacionado a obesidade, hérnia de disco, problemas na coluna e lesão por esforço repetitivo (LER).
– Higienize sempre seu celular. Segundo cientistas, o aparelho celular tem cerca de dez vezes mais bactérias do que a sola de um sapato ou o dobro de bactérias de um banheiro.
– O problema não é o celular, mas o uso que fazemos dele. Mostre quem está no comando.
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