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Água tecnológica: empresas inovam da captação ao saneamento em MS – Jornal Midiamax

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Conheça iniciativas que são aliadas na preservação dos recursos hídricos no Estado
Aliny Mary Dias Publicado em 30/10/2021, às 09h00
Se você tem a sensação que nunca se falou tanto em preservação ambiental como nos últimos anos, acredite, não é apenas uma impressão. Com discussões cada vez mais profundas e urgentes, o consumo da água no planeta faz parte da preocupação de toda sociedade. Nesta reportagem especial, o Jornal Midiamax mostra iniciativas ligadas à tecnologia e à ciência que contribuem para avanços sustentáveis em todo o ciclo de uso da água, da captação ao saneamento em Mato Grosso do Sul.
No Estado, todos os meses, mais de 18 bilhões de litros de água são fornecidos aos habitantes, mais de 7 bilhões só em Campo Grande. Não importa se o destino final é uma casa, comércio, indústria ou o campo, se há água jorrando da torneira, há captação e tratamento envolvidos. 
Responsáveis pelo fornecimento e tratamento de água e esgoto, a Águas Guariroba em Campo Grande e a Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) no Estado, aplicam recursos para que todo o processo envolvendo captação, tratamento, fornecimento de água e esgotamento sanitário atinja níveis globais de qualidade e sustentabilidade.
Afinal, de onde vem a água que eu consumo? Presente em abundância em solo sul-mato-grossense graças ao Aquífero Guarani – maior reservatório subterrâneo de água doce do mundo – a água distribuída aos mais de 2,6 milhões de moradores do Estado é captada de forma superficial e subterrânea. A água que você consome é captada em rios ou através de poços subterrâneos.
Em Campo Grande, 50% da água consumida vem do Aquífero Guarani, outros 34% do Córrego Guariroba e 16% do Córrego Lageado. Antes de chegar até os reservatórios que destinam o líquido precioso para milhares de consumidores, a água passa por pelo menos oito etapas de tratamento, que garantem a qualidade do abastecimento. 
O processo de tratamento da água ocorre da seguinte forma:
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E depois de chegar ao destino final, a água que resta do banho, descarga, limpeza ou qualquer outro fim é descartada. É aí que entra o processo do esgotamento sanitário. Na Capital, todo o esgoto coletado pelas redes da Águas Guariroba é tratado em duas ETEs (Estação de Tratamento de Esgoto). A Los Angeles, que trata 1.080 litros de esgoto por segundo e a Imbirussu, capaz de destinar de forma correta 120 litros de esgoto por segundo. Depois de um longo processo, o líquido que resta do tratamento volta aos córregos 100% tratado e sem poluir o meio ambiente.
Nos outros quatro cantos do Estado, são 128 pontos com tratamento de esgoto feito pela Sanesul, entre os locais estão 68 cidades e 60 distritos. Com objetivo de levar a universalização do esgoto tratado a todo o Mato Grosso do Sul, em fevereiro deste ano uma PPP (Parceria Público Privada) entre a Sanesul e a empresa Aegea foi consolidada, a expectativa é que até 2031 o tratamento de esgoto chegue a 100% dos habitantes atendidos pela Sanesul. O investimento estimado é de R$ 3,8 bilhões neste período.
Com o avanço da tecnologia e ciência, a aplicação da inovação tem se tornado quase que uma obrigação das empresas envolvidas no abastecimento e saneamento das cidades. E se o assunto é ciclo da água, iniciativas inovadoras contribuem para o uso consciente do recurso hídrico e para redução do impacto ambiental causado pelo consumo da água.
No monitoramento em tempo real da qualidade e distribuição da água, na modernização de hidrômetros ou no tratamento de esgoto com sistemas de tecnologia de ponta, há ciência, tecnologia e inovação envolvidas.
Com projetos desenvolvidos no Brasil desde 2017, a ONG (Organização Não Governamental) canadense Waterlution mantém o Laboratório de Inovação da Água, iniciativa que reúne pesquisadores, estudantes e empreendedores que discutem e propõem soluções inovadoras relacionadas à conservação e reuso da água.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, a diretora do instituto no Brasil, Dawn Fleming, explica que uns dos pilares da inovação e tecnologia aplicada à preservação de recursos hídricos é elevar a água como protagonista na busca por soluções. Para a especialista, o maior objetivo dos projetos desenvolvidos nos laboratórios da ONG é encontrar diferentes formas de solucionar obstáculos relacionados ao ciclo da água, da captação ao saneamento.
“Nós sempre falamos que precisamos inovar com apoio das tecnologias e também da forma como trabalhamos, nosso foco tem que ser mesclar processos entre o setor público e privado, além do que é desenvolvido nas pesquisas, para que possamos fomentar uma nova cultura de cuidado com a água“, completa.
Entre as fases dos trabalhos realizados pelos integrantes do Laboratório de Inovação da Água, que tem edições anuais nas cinco regiões do país, está a jornada de inovação e transferência de conhecimento, uma imersão focada em criar soluções colaborativas para: acesso à água; qualidade das águas; gestão de recursos hídricos; saneamento urbano, rural e ecológico; descontaminação de corpos hídricos; gestão integrada e alternativas para a gestão das águas em 5 territórios brasileiros. 

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Em Campo Grande, a tecnologia está presente de ponta a ponta no processo. Um dos locais onde inovação e ciência caminham juntas é no laboratório instalado na ETE Los Angeles, no bairro de mesmo nome.
Com certificações emitidas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e por organizações internacionais que exigem protocolos rígidos de qualidade, o espaço abriga o trabalho de profissionais que se dedicam diariamente em analisar a qualidade da água de córregos antes da captação e após lançamento do esgoto, do líquido que chega nas casas após processo de tratamento e também do esgoto que é submetido a várias etapas de tratamento.
Coordenador Operacional de Esgotamento Sanitário da Águas Guariroba, Renato Ozório Vilela explica que todo o trabalho desenvolvido no laboratório tem como aliada a tecnologia, além dos olhos atentos de químicos que se dedicam às análises.
“Temos tecnologia e inovação em todo o trabalho. Desde máquinas modernas até os vidros usados para armazenar a amostra, tudo está atualizado com o que há de mais atual no mercado e nós passamos por auditorias regulares que fiscalizam o que é feito aqui. Isso traz segurança de que a água e o esgoto tratados em Campo Grande são de excelência”, diz.
O auge da inovação alcançada pela concessionária nos últimos meses e que se tornou um marco na história do saneamento nacional nasceu no bairro Los Angeles. O desenvolvimento de uma tecnologia que contou com muita pesquisa e importação de matéria-prima europeia é a “menina dos olhos” de quem tem o saneamento como missão de vida.
Trata-se de dois reatores biológicos onde é feito o processo de tratamento do esgoto. As estruturas habitualmente construídas com concreto deram lugar a enormes tanques circulares revestidos com aço vitrificado, material nunca antes usado para esse fim no Brasil, e até onde se tem notícia, no mundo. Com o uso do novo material, não há corrosão dos tanques ao longo do tempo, situação comum em estruturas de concreto, e se o gasto com manutenção cai, quem ganha é o campo-grandense.

Gerente de Tratamento de Água e Esgoto da Águas Guariroba, Marjuli Morishigue, esteve envolvida no processo de criação da nova tecnologia desde o início e detalha os benefícios proporcionados pelos reatores, inaugurados em agosto de 2021, fruto de um investimento da ordem de R$ 16 milhões. 
“Em estações de tratamento de esgoto onde o sistema utilizado é o anaeróbio, que não injeta ar no tratamento, há liberação de um gás corrosivo decorrente do processo. Nós coletamos esse gás e fazemos a queima para que se transforme em gás carbônico e não polua a atmosfera. No entanto, as estruturas de concreto que fazem o tratamento são corroídas com o tempo por conta do contato com esse gás”.
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A corrosão das estruturas faz com que rotineiramente os tanques necessitem ser esvaziados para manutenções no concreto. Para isso, parte do sistema precisa ser paralisado e um processo de manejo do esgoto é colocado em prática para que o tratamento permaneça operante.
Além do custo da manutenção, todo o processo de adequação do sistema gera gastos. 
“Diante dessa situação, nossa equipe começou a pesquisar quais outros materiais além do concreto poderiam ser utilizados na fabricação dos reatores. Esse processo envolveu vários colaboradores da estação de tratamento e começou em 2018, foi mais de um ano entre pesquisas e testes com vários materiais e encontramos um que se encaixava perfeitamente”, explica Marjuli.
O material testado e aprovado pela equipe foi o aço vitrificado, que consiste em placas de aço estrutural que recebem um esmalte de vidro fundido a 850 graus celsius e se transforma em uma camada inorgânica que nunca precisa de pintura e mantém suas características originais depois de mais de 60 anos de uso.

Para a equipe de pesquisadores, engenheiros e técnicos, o material e os tanques formavam um casamento perfeito. Após várias etapas de aprovação do projeto, a ideia estava pronta para sair do papel e se transformar em dois grandes reatores. A construção teve início ainda em 2018 e um dos principais desafios foi encontrar o material inovador no mercado dentro das dimensões necessárias para o tamanho dos tanques.
“Descobrimos que no Brasil as placas que precisávamos para a construção dos reatores não podiam ser fabricadas, então importamos todo o material da Áustria. Principalmente pelo peso das placas, precisamos usar guindastes durante a obra para erguer cada uma delas e formar a estrutura”, completa a gerente da concessionária.
O uso desse material para tratamento de esgoto é pioneiro no Brasil e até onde se sabe, nunca foi usado em outros países para esse fim. Fruto de estudo de toda a equipe, os reatores já alcançaram resultados satisfatórios em apenas um mês de operação.
“Foi muito trabalho de toda a equipe, dos engenheiros aos operadores do sistema, todos contribuíram para que a gente conseguisse tirar essa ideia do papel. Acreditamos que os próximos reatores construídos no Estado e no Brasil possam ter essa tecnologia, que só traz benefícios para a empresa e para o cliente”, comemora Marjuli.
Confira no vídeo abaixo mais detalhes sobre os reatores inaugurados em agosto deste ano:

Quando se fala sobre inovação, quase que automaticamente o pensamento de quem não está envolvido no processo vai para máquinas de ponta, robôs que fazem tudo sozinhos ou então iniciativas que só podem ser vistas da porta para dentro das empresas. 
Mas um projeto que nasceu em Campo Grande e ganhou o Brasil, até com reconhecimento em premiação nacional, é a prova de que a tecnologia e inovação podem chegar na rua, mudando a realidade até de quem trabalha debaixo do sol quente.
RIOS – Roteirização de Ordens de Serviços. Este é o programa que começou a ser desenvolvido em 2016 por técnicos da Águas Guariroba e hoje está presente em várias cidades do Brasil. Em 2020, o projeto levou o primeiro lugar na categoria Eficiência Operacional/Técnica no Prêmio Inovação Aegea, promovido há cinco anos pela empresa que é a líder do segmento de saneamento do Brasil.
O projeto criado por analistas de sistemas da concessionária de Campo Grande gera um mecanismo por meio de novo recurso de software para proporcionar roteiros inteligentes das ordens de serviço abertas por diversos motivos. Na prática, o sistema usa algoritmos que “leem” e encaminham ordens de serviço para equipes que trabalham nas ruas. Com isso, as equipes mais próximas de endereços específicos podem ser acionadas automaticamente, sem intervenção de um técnico, para atender as demandas dos clientes. 
Analista de sistemas focado na área de Desenvolvimento e Inovação da Águas Guariroba, Bruno Gayet é um dos criadores do projeto. “Basicamente, nosso sistema faz uma distribuição automática dos serviços de forma inteligente. As equipes que estão na rua recebem os serviços que precisam realizar com base na menor rota e tempo de resposta ao cliente. Não é necessário um operador por trás para distribuir essas ordens de serviço, o sistema faz tudo sozinho”, explica Bruno. 
O analista conta, ainda, que a criação do sistema surgiu fruto da provocação da diretoria da concessionária, que enxergava na tecnologia o caminho para a solução de um problema, garantindo melhor eficiência e agilidade do trabalho feito nas ruas e em consequência, maior satisfação do cliente. 
“Nós trabalhamos duro para desenvolver os algoritmos e criar o sistema, no início de 2019 começamos o processo de validação e vimos que funcionava. Hoje, além de Campo Grande, o RIOS é usado por 46 unidades da Aegea espalhadas pelo Brasil”.
Para Bruno, o projeto é a prova de que a tecnologia está cada vez mais a serviço da população. “Nós temos uma satisfação muito grande de trabalhar em sistemas como esse porque fica claro que cada vez mais podemos reduzir a dependência humana, proporcionar economia para as empresas e reduzir perdas. No fim, o serviço prestado ao cliente é cada vez melhor. A tecnologia transforma vidas, e quando aplicada no contexto dos recursos hídricos, é benefício para todo o planeta”, finaliza o analista de sistemas.

A tecnologia no processo do uso da água também é realidade em mais cidades de Mato Grosso do Sul. Desde 2018, a Sanesul mantém um Núcleo de Operações de Controle, baseado em Campo Grande, que concentra todo trabalho de tecnologia avançada e monitora em tempo real os sistemas de abastecimento de água de todas as 128 regiões atendidas pela empresa.
Painéis possibilitam que técnicos monitorem 24 horas por dia detalhes do abastecimento aos moradores. Em tempo real, o recurso chamado de telemetria aponta índices de produção dos poços, volume de água disponível em todos os reservatórios espalhados pelo Estado, pressão da água e quantidade do que é entregue em cada ponto de distribuição. 
A tecnologia inovadora também permite que operação de poços e estações de tratamento seja feita à distância, com poucos cliques. Diretor Comercial e de Operações da companhia, Onofre Assis de Souza explica que o investimento em inovação é fundamental para toda empresa que atua nesse setor.
“Manter um sistema desse é muito importante porque você capta todas as informações de abastecimento de água e esgotamento sanitário através de ferramentas de tecnologia. A partir disso, você pode ter controle de pressão da rede, nível de reservação, funcionamento de um poço e temperatura de uma bomba de um motor, por exemplo. São indicadores que proporcionam a funcionalidade da operação do sistema de forma mais rápida e otimizada”, completa.

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Mesmo diante de todos exemplos de inovação que você viu nesta reportagem, centrar recursos e estudos para aplicar tecnologia na preservação dos recursos hídricos é desafio constante, principalmente para os próximos anos, diante de cenário de escassez hídrica nacional.
Doutor em saneamento, professor universitário e presidente da regional de Mato Grosso do Sul da ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), Fernando Magalhães fala sobre iniciativas positivas para o setor e que podem ser colocadas em prática pelo poder público e privado.
“Nós temos uma boa estrutura de abastecimento e saneamento a nível nacional e também regional, mas ainda precisamos avançar em questões como planejamento hidrogeológico, por exemplo, que quantifica a água subterrânea para sabermos exatamente nossa capacidade hídrica”, detalha.
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Para o especialista (foto ao lado), medidas como essas só são possíveis se houver trabalho em conjunto entre as prestadoras de serviço do saneamento, o poder público e entidades de pesquisa, como é o caso das universidades.
“Desenvolvermos tecnologia não é o suficiente se não tivermos planejamento, a inovação e a ciência precisam caminhar juntas com a gestão. Precisa ter metas, gerenciamento e recursos envolvidos. Em um cenário geral, nós diagnosticamos bem as situações, mas há dificuldade em tirar do papel metas dentro de prazos e custos específicos”, completa o doutor em saneamento.
Fernando Magalhães reforça, ainda, a necessidade de ter o impacto social das ações de saneamento como uma das principais preocupações dos envolvidos no processo.
“A inovação precisa estar presente nesse setor, mas temos que pensá-la como algo desenvolvido que chegue até a população, precisamos impactar a sociedade”.
Com o poder público como elo essencial nessa cadeia, buscar recursos para serem investidos no setor também tem feito parte da preocupação dos gestores. Superintendente de Ciência, Tecnologia e Produção da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Rogério Beretta afirma que inovação no setor hídrico está no centro das discussões.
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“O uso consciente da água é um dos temas mais em pauta nos últimos dois anos, principalmente pelas crises hídricas enfrentadas no Brasil. A ciência e a tecnologia têm um papel fundamental para melhorar nossa capacidade de preservar água e estamos constantemente discutindo isso em fóruns”.
Em relação a investimentos, Beretta (foto ao lado) explica que destinar recursos para o setor faz parte do que é colocado em prática em Mato Grosso do Sul.
“O investimento é muito importante pois auxilia em diversas áreas como medição, controle hídrico e controle de qualidade da água. O poder público tem a responsabilidade de elaborar políticas públicas e proporcionar liberação de verba para desenvolver a pesquisa e a tecnologia que será aplicada no setor”, conclui.

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